Médium João de Deus teria sido proibido de atender em Três Coroas; Promotoria não tem denúncias sobre os fatos

Polícia

Informação foi divulgada pelo jornal O Globo, que vem publicando reportagens sobre supostos assédios.

João de Deus está sendo alvo de acusações de assédio sexual. Reprodução/TV Globo

Denúncias de supostos assédios em 2012 teriam motivado proibição de que o médium João de Deus atendesse em Três Coroas. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, em matéria publicada nesta segunda-feira (10). O médium visitava o local cerca de três vezes por ano e prestava atendimento em uma casa. Desde que houve uma reunião em que maridos e pais que frequentavam o local decidiram proibir o médium de voltar ao estado, teria ocorrido a desmobilização do local de atendimento. Mas, as vítimas não teriam prestado queixa na polícia por medo de represálias.


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As informações constam na matéria d’O Globo relatando que uma menor de idade teria sido abusada na Casa de Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO). O caso ocorreu quando a jovem tinha 17 anos. A família, que mora no Rio Grande do Sul, frequentava, também, a casa de Três Coroas onde João de Deus fazia os atendimentos.


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O pai da vítima disse que ficou sabendo do suposto abuso por telefone. “Eu estava no Rio Grande do Sul, e minha filha tinha ido a Abadiânia para participar dos atendimentos, quando me ligou contando o que tinha acontecido. Isso foi em 2012, e ela tinha 17 anos. Nós ficamos em choque e depois disso nos afastamos, mas ela teve que fazer terapia. Aconteceu assim como nos relatos publicados: ela foi chamada para o atendimento individual na Casa de Dom Inácio, e ele começou a passar a mão em suas partes íntimas. Minha filha saiu chorando assustada. Depois disso, deixamos de frequentar o local”, contou o pai da jovem ao jornal carioca. A vítima tem, hoje, 23 anos.

Outras três mulheres que frequentavam ambas as casas disseram, segundo o Globo, que vários relatos surgiram contra João de Deus, que foi proibido pelos próprios frequentadores de voltar a prestar atendimento em Três Coroas. Segundo o jornal, as frequentadoras relataram que, em 2012, houve uma reunião em que foi decidido pela proibição. “Meu marido e eu começamos a frequentar a Casa em Três Coroas em 2007 porque minha avó tinha câncer e chegamos a participar da direção. Aconteceu comigo duas vezes em Abadiânia. Ele passou a mão em mim, abriu a calça e disse que aquilo era uma energia que estava passando do corpo dele para o meu”, contou outra suposta vítima, que não foi identificada na matéria d’O Globo.

Ministério Público de Três Coroas não recebeu denúncias a respeito
Contatado pelo Jornal Panorama, o promotor de Justiça de Três Coroas, Daniel Ramos Gonçalves, que atua há 12 anos no município, disse que não há nenhuma investigação sobre o médium João de Deus em andamento na Promotoria local. Isso porque, até o momento, não houve a formalização de qualquer denúncia a respeito desses supostos abusos. Após a divulgação dos fatos pela imprensa, o promotor contatou colegas da região e também não obteve informações sobre eventuais casos suspeitos nos municípios vizinhos.

O promotor enfatiza que o Ministério Público está apto a investigar o caso e aberto às denúncias. Sobre os supostos casos em Três Coroas, Gonçalves enfatizou que o processo penal ocorre nos locais em que os crimes teriam ocorrido, por isso a importância de que eventuais denúncias sejam feitas na Promotoria local. O promotor diz que, por enquanto, também conversou com o delegado titular de Três Coroas, Ivanir Caliari, mas não há denúncias a respeito na Polícia Civil.

As denúncias contra o médium
O escândalo envolvendo João de Deus veio à tona na última sexta-feira (7), quando o programa Conversa com Bial, da TV Globo, veiculou o relato de várias mulheres que afirmam terem sido vítimas do médium. Segundo os relatos, João de Deus as teria levado para cômodos isolados do centro espírita e as molestado, acariciando seus corpos.

Em notas públicas divulgadas à imprensa, o advogado Alberto Toron, que representa João de Deus, informou que seu cliente nega as acusações e as recebe com indignação. O advogado diz que ele se apresentará à Justiça e lembra que a maioria dos atendimentos feitos são abertos e coletivos, diante de um grande número de pessoas.