Na consciência do supremo, por Luiz Haiml

Leia o artigo mensal do professor Luiz Francisco Haiml.

Na consciência do supremo

Inícios de uma ensolarada tarde de domingo pela qual planava um leve, porém, frio vento. Eu atravessara a rua Tristão Monteiro e ia pelo estacionamento do Supermercado Todo Dia realizando um breve corte para chegar na Edmundo Saft. Meu destino, o Lar Oase, visitar uma tia.

Já quase a deixar o estacionamento do mercado, mirando a ladeira da Edmundo que leva ao Lar, iluminado pelo sol, tocado pelo frescor do vento, dei-me conta de que estava em meio ao nada. Já explico. É que experimentei, com todos os sentidos, a ideia de que estamos no plano de Maya. E não foi só uma experiência, foi uma vivência.

No percurso em que eu estava, todos sabem, há grandes casarões de outras épocas que convivem com ostensivos edifícios de estética moderna, são todos densas, belas, sólidas estruturas que enchem os olhos, mas, para mim, naquele momento, não estavam ali. Não é bem que não estavam, estavam e não estavam. Na verdade, nem parte de mim estava ali.

Assim como de repente se desvanecia o vento, a luz do sol, o estacionamento, o mercado, e já se iam também os outros prédios, as ruas, os eventuais transeuntes e veículos que passavam. Eu e o cenário nos tornávamos uma elaborada aparição, uma dissoluta fantasmagoria por cuja tessitura eu percebia a verdadeira realidade que nos construíra. Naquele momento, a presença do Tempo, e ao mesmo tempo sua inexistência, se manifestavam juntas.

Então vivenciei a dissolução do corpo, o desmanchar de toda a concretitude, e havia apenas a presença da energia que vem do Criador. E dai a certeza de que a estrutura física que possuímos nada mais é do que um veículo, um meio de transporte, uma carapaça para nossa eterna consciência que um dia, se soubermos buscar o aprimoramento, guiaremos de volta à Fonte (pleno oceano espiritual), à consciência do supremo (Deus). E é essa a razão de tudo. Nada mais.

Cair na real de que existimos em Maya (ilusão) é finalmente compreender o quão frágeis são as amarras que nos enredam a esse mundo material, um mundo que nos alegra e ao mesmo tempo nos atormenta, mas que é apenas uma parte do que nos complementa, uma parte da nossa verdade.

Olhe ao seu redor, olhe para você, mas olhe de verdade para além do que está vendo.

Por Luiz Haiml
Professor, de Taquara
[Leia todas as colunas]