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Na contramão

Na contramão

Um “desarranjo mental” é o que define o estado de minha mente nesta semana. A “agenda” Coronavírus – que aos poucos faz o mundo se prostrar diante da China; o desfecho do “caso” Hospital Bom Jesus; o conteúdo dos boletins policiais; as posturas indigestas de autoridades e profissionais que, além de faltarem com suas responsabilidades, se ocupam em tentar manipular informações; e o rumo ao qual a própria humanidade caminha – agredindo a quem deveria defender.. Tudo isso me causou um desarranjo mental, resultando em uma bela crise de labirintite.

Remoer o cenário, e pensar que tenho uma criaturinha, meiga e cheia de vida aos meus cuidados (minha filha), por momentos, me causou até pavor. Recorri à contramão. E esse é um dos motivos pelos quais agradeço a Deus todos os dias: o privilégio da maternidade. É onde tenho encontrado esperança, alegria e uma riqueza – completamente banalizada ultimamente – mas que existe e PRECISA ser exercitada: o amor.

Olhando um vídeo que uma amiga postou nos sites de redes sociais, nessa semana – em que a filha de menos de três anos “ajudava” a limpar a casa e, questionada se gostava da atividade, respondeu que, na verdade, gostava era de ajudar a mamãe – eu tive certeza de que nossa essência continua boa. É no caminho que nos perdemos. E ele tem se mostrado cada vez mais melindroso, especialmente, para quem negligencia os sinais, e simplesmente segue o fluxo, cedendo à corrupção, à ganância, à perversidade e à mentira.

E é fato que, rendidos ao sistema – que se instala nos mais diversos âmbitos e poderes, incluindo o próprio Judiciário – muitos se sentem atraídos pelos atalhos e perdem a noção do impacto de suas ações. O resultado é a injustiça, a fome, a violência e a morte – que atinge principalmente inocentes – e, infelizmente, acaba impune. Tudo isso nos faz, por momentos, questionar a própria raça. Mas, na contramão desse fluxo, me proponho a lançar hoje uma sementinha de esperança e coragem. Quero desafiar você a quebrar o ciclo.

Se olhar em volta, com o foco bem ajustado, é possível encontrar pessoas que vivem com esse mesmo propósito. Voluntários que abdicam de seus bens e prazeres pessoais, em benefício de seu próximo; profissionais que doam assessoria e atendimento para curar dores, doenças e traumas. Pessoas que entenderam que, sozinhos, não podemos mudar o mundo, mas, juntos, podemos mudar realidades. E mesmo que nos pareça pouco, o pouco também é algo. E mesmo que seja trabalhoso, e que nos custe a vida, morrer pelo bem sempre será mais digno do que viver na maldade – às sombras, como seres desprezíveis.

Rompamos com esse ciclo! Se o mundo gira para o caos, andemos na contramão.

Jéssica Ramos
Jornalista de Taquara
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