Nossa Humildade, por Plínio Zíngano

Penso, logo insisto

Leia a coluna “Penso, Logo Insisto”, assinada pelo professor Plínio Dias Zíngano.

Do “Meu cinicário” – Clínico geral é o médico que, desconhecendo seu mal, indica-lhe um especialista. Que, também por não saber, manda você fazer exames.

NOSSA HUMILDADE

Noite do Oscar, a comemoração máxima da indústria cinematográfica norte-americana, embora existam dezenas de outras comemorações máximas ao redor do mundo com igual objetivo. Por exemplo, mesmo pouco ligado a esse tipo de arte, o cinema, lembro O Pagador de Promessas, filme brasileiro de 1962. Ele conquistou a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França, naquele ano. A imprensa brasileira exultou e a película se tornou marca registrada na nossa filmografia.

Todos os festivais cinematográficos são, apenas, meros procedimentos promocionais da indústria, apesar da aura de uma bênção dos deuses. Qual o motivo  dessas escolhas? Os filmes nada têm de divino – como podem os críticos tentar fazer crer. É a velha mania das pessoas, tão bem aproveitada pela publicidade: a indicação. Ou você nunca se perguntou a razão da propaganda usar e abusar de personagens famosos (principalmente, atores muito conhecidos) na divulgação de produtos? Geralmente, temos preguiça de procurar o valor de alguma coisa através de critérios próprios. Se alguém, “bondosamente”, nos indica uma resposta para nossas necessidades/vontades, o problema está resolvido. Eis aí a razão da importância dos festivais. Um filme premiado significa já ter sua qualidade posta à prova. Logo, junte-se aos vencedores, pois eles vêm com o rótulo: “testado e aprovado”.

Essa característica aparece, muitas vezes, nas publicações virtuais, quando alguém escreve “quem pode me indicar um bom filme?”. A resposta é dada, gratuitamente, pelos concursos, premiando as melhores obras cinematográficas de determinado ano. Mas, como dizia o filósofo galês Bertrand Russel, “mesmo que cinquenta milhões de pessoas digam uma bobagem, a bobagem continua sendo bobagem”. Então, dar crédito aos prêmios do Oscar e quejandos, pode ser, apenas, mais uma bobagem.

Agora, chamou-me a atenção o discurso proferido por Joaquin Phoenix, premiado como o melhor ator da edição atual. Resumindo, ele afirmou não se sentir acima de “nenhum dos outros indicados [para o certame] ou de qualquer outra pessoa nesta sala (…)”. Pois eu afirmo: como tantas manifestações absurdas, essa foi mais uma. Ele se sentia, sim, acima dos outros! Se não fosse verdade, por qual razão teria comparecido à cerimônia, havendo a possibilidade de vitória? Por que não declinou com antecedência da chance de ser o vencedor? E nem me falem em obrigações contratuais. Se alguém pode vir a ser envolvido numa situação contrária às suas convicções, previna-se. Ou fica de boca fechada e aceita, ou recusa antecipadamente. As duas coisas, não dá! Humildade alardeada é hipocrisia.

Por Plínio Dias Zíngano
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