Nova categoria, por Plínio Dias Zíngano

Penso, logo insisto

Leia a coluna “Penso, Logo Insisto”, assinada pelo professor Plínio Dias Zíngano.

Do “Meu cinicário” – Desespero de ecologista é não poder atribuir os terremotos à intervenção “criminosa” dos homens.

NOVA CATEGORIA

Como efeito do surgimento da COVID-19 (nomenclatura da Organização Mundial da Saúde, significando COrona VIrus Disease – Doença do Coronavírus –, enquanto “19” se refere a 2019), doença causada pelo coronavírus, membro de uma família de vírus que produz infecções respiratórias, estou sendo obrigado a repensar alguns dos meus conceitos a meu respeito. O atual coronavírus foi identificado em 31/12/19 após casos registrados na China, embora a tal família já seja conhecida desde 1960. Isto explica o adjetivo “novo” muitas vezes mencionado antes do nome propriamente dito.

Essa revisão conceitual me fez notar que, pela minha idade, estou incluído num dos grupos considerados de risco para os quais a Covid-19 pode ser mais trágica. Sempre soube dos danos ao nosso corpo facilitados pela baixa imunidade diante de qualquer elemento patogênico, mas nunca me ocorrera a extensão do tempo de vida – a idade – como um dos mais significantes. Sim, tenho tomado conhecimento das normas de procedimento para enfrentar a situação pandêmica provocada pelo coronavírus, e as sigo rigidamente, mesmo ao custo de não receber a visita semanal de minha amada neta, anteontem, ela também ela pertencente a grupo de risco, as crianças. Sou um daqueles odiosos CDFs (eufemismo para “cu-de-ferro”). Nós seguimos as regras direitinho. Como preceitua a norma, idosos não saem à rua! Logo, fico dentro de casa. Mas, querem saber? Sem problemas! Tenho grande gosto por ficar ao computador, escrevendo, pesquisando na internet, aumentando conhecimentos (claro, existem locais sérios onde podemos pesquisar).

Bem, alguém se espantará: “então, qual revisão de conceitos esse sujeito (“esse sujeito” sou eu, no pensamento de quem se espanta) foi forçado a fazer durante a situação pandêmica provocada pelo coronavírus?”. Explico, mesmo sabendo que poucos entenderão. Aliás, penso, só os incluídos na minha categoria vão captar o real significado das minhas palavras. A senha para entrar no novo mundo foi o comentário feito por um adolescente enquanto analisava os grupos sacramentados pela maior possibilidade de apanhar COVID-19: “pobres crianças e velhinhos!”. Num repente, poucas palavras derrubaram minha vaidade. Fui reduzido, depreciativamente, a um pobre velhinho por quem se deve ter compaixão.

Lá fora, a vida segue, cada vez mais lenta!

Por Plínio Dias Zíngano
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