O Gita – Uma Pequena Grande Porção, por Luiz Haiml

Haiml & etc.

O Gita – Uma Pequena Grande Porção

Antes dos Vedas não existia nada. Foi essa afirmação que, após me puxar o tapete, me lançou a conhecer a ideia que ela contém. Então, encontrei o Gita.

O Bhagavad Gita é uma porção do Mahabharata, que por sua vez faz parte dos Vedas, imenso conjunto de escrituras sagradas apontadas historicamente como as primeiras do gênero a surgirem em nosso planeta.

Nos Vedas há temas e outros elementos que depois ressurgirão, muitas vezes sem a mesma profundidade, em várias outras doutrinas e religiões. Na verdade, são creditados ao povo dos Vedas, primeiros habitantes de certas partes da Índia, conhecimentos também de outras áreas, como, por exemplo, o famoso “teorema de Pitágoras”.

Mesmo sendo uma parte do Mahabharata, o Gita, por seu conteúdo, e alta qualidade do mesmo, ganha destaque como livro próprio. Nele se estabelece um diálogo entre o nobre Arjuna e Krsna- uma das muitas formas de Deus. Isso se dá ao pé de uma grande batalha prestes a acontecer por causa de uma desavença entre os herdeiros do império hindu que agora estão em legiões separadas, irmão contra irmão, parente contra parente, todos já em aguardo no campo de batalha situado em Kurustreva.

Krsna, entre Arjuna e o príncipe Duryodhana, representantes das facções adversárias, dá as seguintes opções aos dois: um lado terá a sua disposição todo o Seu exército, o outro terá o próprio Krsna, mas isso, aparentemente soando como vantagem, não o seria, pois esse disse que não iria intervir na luta. Arjuna é o primeiro a escolher, e opta pela segunda opção. É dessa escolha que se originara uma visceral reflexão a partir de duas batalhas, a espiritual (o conflito de Arjuna) e a material (a guerra em si).

Acontece que Arjuna, bravo guerreiro, e um dos personagens centrais do Mahabharata, então já com Krsna ao seu lado no carro de combate (Krsnha aceitara o pedido de Arjuna de ser, pelo menos, seu condutor) ao ver como inimigo muitos dos queridos amigos e parentes, pensa em desistir da guerra, não quer a morte deles, e, atormentado, questiona Krsna sobre o assunto, então, em belas e profundas digressões temos uma lição devastadora sobre a vida, a morte, a alma, Deus.

Estranhamente, enquanto encerro esta coluna, o Gita de Raul Seixas começa a tocar na União FM.

Nas ilustrações: a atual cidade de Kurustreva; um trecho do Mahabharata; capa do Gita onde aparecem Ajruna e Krsna.

Por Luiz Haiml
Professor, de Taquara
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