CONCURSO LITERÁRIO 2018

O grande sonhador | 3º lugar – Geral

Confira o texto de Douglas Márcio Kaiser, terceiro lugar na categoria geral do Concurso Literário Faccat/Jornal Panorama.
Foto: Pixabay
3º lugar – Geral
Título da obra: O grande sonhador
Pseudônimo do autor: Henrique Rushmore
Nome Completo do autor: Douglas Márcio Kaiser
Idade: 39
Cidade: Taquara

O grande sonhador

Henrique Rushmore

Às vezes me pergunto se o Brasil não é na verdade um grande sonho desde o seu descobrimento… Será mesmo que Cabral descobriu as terras brasileiras por acidente ao buscar um novo caminho para as Índias?

Viramos colônia, levaram nossas riquezas para o Além-Mar, e, lá pelos idos de 1789, um dentista barbudo personaliza o primeiro sonho de independência. Tiradentes perdeu a cabeça e, com ela, o sonho. Se havia algum outro sonhador da liberdade, recolheu-se, mantendo a cabeça sobre os ombros…

Pouco tempo depois, a Colônia vira refúgio para uma família real portuguesa em fuga. A realeza traz consigo novos ares ao Brasil, mas também alguns problemas. Com o passar dos anos, a Europa se acalma, Napoleão já perdera força, a família real volta à pátria-mãe, e chega o sonhado Grito de Liberdade, o “Sete de Setembro”.

E assim, entre sonhos e desejos, décadas se passam até que o sentimento republicano floresce, e o Império vira história. Sucedem-se a “Política do Café-com-Leite”, o Estado Novo, os “50 anos em 05”, o “Brasil, ame-o ou deixe-o”, e toda uma sucessão de sonhos e até de utopias.

Eu nasci em 1979, quando o Brasil começava a sonhar novamente com liberdade política, com as “Diretas Já”. Em 1985, sonho parcialmente realizado, Tancredo Neves é eleito presidente (mesmo que indiretamente), mas… uma sombra funesta leva a esperança e assume o vice, José Sarney.

Sonhamos acabar com os marajás em 1989 (que ilusão!). Vem Itamar Franco com a volta do fusca (saudosismo) e com o Plano Real. Sucedem-se FHC e, em seguida, Lula, o primeiro operário Presidente do Brasil. Bons e maus ventos se alternam, e assim o impávido colosso chamado Brasil segue adiante.

O ano de 2018 marca uma “cruzada” que mais pareceu uma batalha épica, uma espécie de Inquisição, só faltando a fogueira (ainda bem que não chegamos a esse extremo). A urna é uma espécie de caixa de sonhos. Na verdade, a democracia em si talvez seja um grande sonho. Jogo realizado, aos derrotados cabe sonhar com uma nova possibilidade daqui a quatro anos; aos vencedores, a tarefa de honrar a confiança.

Assim, entre idas e vindas, entre conquistas e perdas, seguimos nosso caminho, às vezes sonhando acordados, outras vezes realizando nossos maiores desejos.

O Brasil é um “continente” de mais de 200 milhões de sonhadores. Não acredito que não existam boas energias no meio de tantos sonhadores.

Não importa se o caminho, para pedir a realização dos sonhos, sejam promessas de fé, lentilha na carteira, pular as sete ondas, ou fazer pedidos aos orixás. “Somos brasileiros, não desistimos nunca”. Não é assim o ditado? Talvez, nos momentos que o gigante esteja adormecido, esse titã chamado Brasil esteja sonhando com um futuro melhor, e, quem sabe, reunindo forças para nos impulsionar e sobretudo guiar pelos sonhos mais ambicionados, não só no Brasil, mas, quem sabe, no mundo: paz, união e felicidade.