O Refúgio Dos Vultos de Taquara, por Rui Fischer

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O Refúgio Dos Vultos de Taquara.

Essa crônica é mais para a “velha guarda”, ou amigos que tenham idade próxima da minha (tenho 68 em vias de 69), porém, os mais jovens não estão “proibidos” de a lerem, é lógico – o que só lhes traria um pouco mais de conhecimento sobre a nossa Taquara de antanho. – O título sugere um local e, esse local era situado na esquina das ruas Tristão Monteiro e General Frota (do lado oeste, de quem desce), mais precisamente na Fruteira Reinher (se lê Rainher, devido ser de origem alemã) do saudoso amigo Arlindo Reinher, onde, quase que diariamente , nos anos de 1960/70, se reuniam os vultos (a nata) de Taquara,  citados, ou melhor, que irei citar logo adiante.  A primeira coisa que o Arlindo fazia, de manhã era o tradicional, e esmerado, chimarrão em uma cuia enorme que cabia uma generosa quantidade de erva, tal era o seu tamanho, cuia esta, que circulava por todas (ou quase todas), as mãos que por lá passavam, e ai de quem, por ventura, inventasse de mexer na bomba do tal chimarrão – de cara, levava uma mijada do seu Arlindo. eis que, tal ato além de entupir o chimas, fazia com que o montinho (ou, montão rs.) de erva desmoronasse, deixando-o esbravejando por, pelo menos 15 minutos. Outra ocupação do amigo Arlindo, era o trato ao papagaio de estimação, cujo nome não lembro, mas, era  famoso na casa.  Passavam por lá, quase que diariamente e de preferência, de manhã, muitos dos principais cidadãos importantes para a cultura e os negócios taquarenses, entre eles: Oscar Ritter, Nilo Koetz, Nilo Linden (avô do Vinícius), Osvaldo Matzenauer (fornecedor/vendedor de erva), Adelmo Trott, dr. Dirceu Martins, dr. Aldo Born, dr.Breno Ritter, dr. Alípio Sperb, Oscar Rangel. Armindo Lauck, João Schaefer (café), Armandio Schaeffer, Remy Volkart, Rubinho Müller (Loja Dientsmann), Armindo Dientsmann (farmácia), Anibaldo Renck (farmácia), Adair e Aníbal Wallauer (irmãos), Oscar Jaeger (hotel), Ary Jaeger (escrivão do Registro Civil), Ivo Petry, Alaído Ohlweiler, Marco Aurélio Correa (todos Chaplin), Hélio e Egon Fritscher (irmãos), Guido Klain (INPS, irmão do Eldo)), Calixto Letti, Wilson Aguiar (Paçoca), Artuino Arsand (Ati), Alcido Arsand ( Cito) (irmãos), Emílio Martins (e os filhos, dr. Alberto e Marcus), Armando Jung e Darcy Franck (Calçados Norid)), Waldemar Pahl, dr. Fernando Schaan, Lothar Arsand, Erny Müller, Guido Utz, Luciano Eckhard, José Theomar Lenhnen (ex-prefeito), Oscar Linden (Citral), Léo Kroth, Napoleão Leal, Henrique Vidal Kohlrausch (ex-prefeito), Zé Santos, Darcy Coimbra, Romeu Marques Ribeiro, os irmãos Carlos Pedro e João Henrique Kohlrausch, dr. Ângelo Coelho, Adauti Comassetto, Max Badermann, Walter Cimirro, Nestor Wilhelms, Nereu Wilhelms (ex-prefeito), Nelson Wilhelms (Rato), (todos irmãos)  e, outros tantos que vou omitir, devido ao espaço exíguo. Agora um parágrafo: o sr. Oscar Ritter, frequentador assíduo do ambiente, e morador próximo, estava presente quase todos os dias, porém um dia ele se ausentou, dizem, que nesse dia, um amigo, com certa dificuldade de falar devido à sua origem germânica, chegou lá dizendo que o “Oscarita” havia morrido, é lógico, que todo mundo se assustou, pensando que o amigo Oscar Ritter havia falecido, ocorre que, o alemão (pai de um grande amigo meu, que é lógico, vou omitir) muito atrapalhado estava tentado dizer que o ator/humorista Oscarito (Oscarita, quase homônimo de Oscar Ritter, na visão do alemão), havia morrido. E, por falar em Oscar (tantos), havia outro na relação, o Oscar Reinher, irmão do Arlindo, cujo mesmo andava por lá, vez que outra, para ajudar o irmão no atendimento. Outra do mesmo alemão: havia, em Taquara, um padeiro conhecido como Adão Padeiro (na época, os padeiros vendiam os pães em carroças, lembro direitinho), pois certo dia, o alemão que falo, chegou à fruteira dizendo que adombadera capotou ( capotou significa o mesmo que morrer/bater as botas… capotar),todos ficaram impressionados com a morte do querido Adão Padeiro, acontece que ele estava tentando dizer que “a tombadeira da prefeitura, capotou lá na faixa (Sebastião Amoretti), por coincidência, próximo à padaria do Adão. Mais um pequeno parágrafo: eu, apesar da idade inferior a todos, fui frequentador esporadicamente da Fruteira Rainher, porém para comprar uma boa erva de chimarrão (eu falei…de chimarrão! rs) e também aipim, de preferência de colheita recente, porém, in natura (não existia descascado), entretanto não deixei de tomar o famoso chimas da fruteira, sem derrubar o montinho e mexer na bomba, que ninguém é bobo, é lógico! Esta crônica, eu sugeriria, fosse lida após um minuto de silêncio do leitor, eis que a grande maioria já não está mais entre nós, porém merecem todas as nossas homenagens pelo que fizeram em prol da sociedade taquarense e, são, em tese, vultos (a nata de Taquara).  Rui Fischer Aposentado  de Taquara Fone (51) 3542-3228