O Retorno, por Plínio Zíngano

Leia a coluna "Penso, Logo Insisto", assinada pelo professor Plínio Dias Zíngano.

Do “Meu cinicário”: É muito bom ler o que os outros escrevem. Mas é muito melhor escrever o que os outros leem!

O Retorno

É interessante o trabalho com palavras. Às vezes, a gente nem se dá conta da amplitude dos vários significados de uma delas, mesmo quando já fazem parte de nosso léxico individual. De repente, uma nova faceta sua aparece diante de nós, brilhando qual vaga-lume em noite escura de verão, tornando mais interessante o seu uso (não consigo evitar estas construções literárias; é o meu lado poético!).

Esse engano lexical aconteceu com este cronista, que se afastou da sua coluna jornalística por quase um ano e meio. “Penso, logo insisto” – parafraseando a famosíssima frase criada por René Descartes lá no século XVII (cogito, ergo sum – “penso, logo existo”) – apareceu, pela primeira vez, no jornal Panorama em agosto de 2005. Foram mais de 300 textos até a parada no começo de 2018. É, mais ou menos, o que bandas e duplas musicais de muito sucesso costumam fazer, eventualmente, ao longo de sua história. Só para exemplificar, pensem em Kleiton e Kledir (lembram deles?) ou em Sandy e Júnior. Eles pararam e, depois de um determinado período, voltaram.

Mas onde entra o comentário sobre palavras referido lá no inicio? Explico! O tal determinado período de parada se costuma chamar de “período sabático”, usando “sabático” numa acepção desconhecida por mim até alguns anos atrás. Eu acreditava que “sabáticas” falava, apenas, daquelas reuniões marcadas por todas as coisas proibidas transformadoras de uma festa em orgia, à meia-noite, dentro das mais escuras florestas da Europa, durante a Idade Média. Vez ou outra, viam-se vassouras cavalgadas por mulheres – bruxas –, alçarem voos rumo a castelos desconhecidos (nessas situações, as bruxas eram sempre lindas, sem verruga na ponta do nariz). Então, para mim, “período sabático” significava, somente, o tempo de duração dessas orgias. Porém estava enganado! “Sabático” é, também, relativo a um inocente período de interrupção de alguma atividade regular.

Pois foi o que aconteceu comigo! Durante 18 meses tive meu período sabático longe do jornal! Agora, interrompo minha interrupção e volto a escrever a coluna semanal. Claro, os simpáticos filhos do Xororó voltaram a peso de ouro, basta ver o preço dos ingressos para seus xous, mas isto, definitiva e infelizmente, não é o meu caso! É por amor ao texto mesmo!

Por Plínio Dias Zíngano
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