Odon: após o Taquarense, trajetória vitoriosa em grandes clubes

Esportes

Panorama recupera reportagem especial contando a trajetória do professor Odon, falecido nesta terça-feira (24) em Taquara.

Marcio Renck / Arquivo / Jornal Panorama

O professor de educação física Odon Ribeiro, falecido nesta terça-feira (24), com certeza é um dos atletas mais bem sucedidos com passagem pelo Sport Clube Taquarense. Vendido para o Novo Hamburgo, rapidamente foi negociado com o Cerro Portenho do Uruguai, para em seguida, atuar ainda pelo seu time do coração, o Grêmio.


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Passagens por grandes times do Brasil e até pelo Cerro Portenho, do Uruguai

Odon iniciou sua carreira no futebol com 16 anos, no ano de 1959, no município de Osório, onde residiu por breve período, jogando pelo juvenil do Clube Atlético Osoriense. O treinador do Taquarense, de passagem pelo litoral, casualmente viu Odon atuar e já em 1961 jogava pelo Leão da Encosta da Serra. Sua maior conquista jogando em Taquara foi a classificação para o Torneio da Morte, que dava acesso à elite do futebol gaúcho, porém o time deixou escapar a participação no Gauchão.

Odon: início promissor no Taquarense e carreira exemplar em grandes times

Em 1962, Odon foi vendido ao Esporte Clube Novo Hamburgo, na época a terceira força do futebol gaúcho, e no mesmo período foi sondado pela equipe carioca do Vasco da Gama, que chegou a colocar passagem à disposição do jogador. Neste mesmo ano disputaram um amistoso com o Nacional, em Montevidéu. Naquela ocasião, o Novo Hamburgo estava vencendo por 3 x 1, mas permitiu a virada do Nacional em 4 x 3. Dirigentes do Cerro que assistiram a partida demonstraram interesse no lateral revelado pelo S. C. Taquarense. Em 1963 os jogadores Ica e Odon foram vendidos ao Cerro pela “bagatela” de 18 milhões de cruzeiros, uma das maiores negociações feitas pelo Novo Hamburgo até então.


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Equipe que disputou o torneio da morte em 1961

Já no primeiro ano em Montevidéu, Odon atuou contra a equipe do Boca Juniors, no estádio da Bombonera, quando na ocasião empataram em 3 x 3. A partir de então, se consagrou definitivamente defendendo a equipe do Nacional por dois anos. Foi quando surgiu a oportunidade de vestir a camisa do Grêmio. Após meses de tentativas e negociações frustradas entre Grêmio e Cerro, finalmente em 1965 Odon foi anunciado pela direção gremista.

Depois de três atuações consecutivas notáveis, Odon ganhou com méritos a camisa 7 do tricolor. No início, Odon residia em Taquara com a esposa, e seguia todos os dias para a concentração na Capital. A direção, temendo o desgaste do jogador, resolveu arranjar moradia para ele e sua família em Porto Alegre. Nos dois anos que vestiu a camisa do tricolor, Odon ajudou a equipe a levantar duas vezes a taça de Gauchão, em 1965 (invicto) e 1966.

Já em 1967, foi emprestado ao Flamengo, mas não se adaptou à capital carioca. Voltando ao Estado, logo foi emprestado para o Novo Hamburgo, ano em que a equipe venceu o Internacional nos Eucaliptos por 1 x 0,
dando o título ao Grêmio, que pagou um bicho extra aos jogadores enquanto que a direção deu um saco de arroz para cada atleta.

Entre os anos de 68 a 75, Odon jogou pelo Esporte Clube Igrejinha, sendo campeão da segunda divisão. Sua trajetória no esporte continuou após deixar os gramados como jogador profissional, em 1974, trabalhando como treinador e preparador físico. Em 1979, formou-se em educação física na Feevale e seguiu lecionando em escolas de Taquara e Igrejinha, até se aposentar no ano de 2007.

(Com informações de reportagem especial do Panorama, publicada na edição impressa de 25 de novembro de 2011, em caderno especial sobre os 100 anos do Sport Clube Taquarense).