Olavo Carlos Wagner

Olavo Carlos Wagner


Diretor fundador do Jornal Panorama, está à frente também das rádios Taquara AM, FM 91 e 89.1 Paranhana FM, em Parobé, cuja grade de programação está sendo elaborada.


• Como o ramo da comunicação entrou em sua vida?
Não me imaginei trabalhando fora da área de comunicação. Rádio e jornal sempre me fascinaram desde as minhas mais remotas lembranças. Houve época também em que pretendia ser ator, num período em que o teatro de Arena, com Jairo de Andrade, Alba Rosa e Marlise Saueressig, era reconstruído no viaduto da Borges, em Porto Alegre; ajudei a carregar tijolos. Eu decorava textos e ensaiava peças que nunca ninguém assistiu, jamais senti o gosto do aplauso. É frustração até hoje.

• Cite alguma das remotas lembranças do fascínio pela comunicação.
Morávamos na colônia, e no porão da casa eu tinha um “estúdio de rádio”, improvisado com um barbante que sustentava uma latinha de extrato de tomate a título de microfone. Um dia, candidatos políticos vieram em campanha, e meu pai apresentou com orgulho a vocação do filho mais velho, que lia com firmeza e voz empostada o Correio do Povo, simulando locução de notícias; o jornal era quase maior do que eu, naquele formato antigo, standard. Aquele contato me rendeu uma indicação para bolsa de estudos no IACS, pois nossa família enfrentava séria dificuldade financeira. Lembro que para estudar no Instituto Adventista eu precisava de um enxoval. Fui a Porto Alegre e fiz plantão na Legião Brasileira de Assistência (LBA), pedindo ajuda, me desesperei, chorei até que me deram um saco enorme cheio de coisas, que mal consegui carregar até a rodoviária. Na época era a primeira dama Neusa Brizola quem dirigia a LBA. Certo dia, décadas mais tarde, pude contar pessoalmente ao Leonel Brizola esta história, quando ele me confessou ter passado por coisas parecidas na juventude para conseguir alçar voo.

• Alguma história a mais do seu tempo de querer alçar voo?
Teve o momento em que fugi de casa. A situação estava muito difícil, e eu percebi que meus pais estavam propensos a me encaminhar para o trabalho na roça. Juntei tudo que cabia numa pequena mala, confessei meu plano para a avó materna, que me alcançou uns trocados para a jornada. Deixei uma carta para os pais e rumei a Porto Alegre. Meu primeiro emprego foi de servente de cafezinho num banco. Batalhei até conseguir uma vaga em rádio por lá. Em Taquara eu fizera um teste, mas não consegui uma vaga de locutor na emissora que hoje nos pertence e dirijo. Enquanto estudava no IACS, vinha com frequência olhar os locutores falando na Rádio Taquara. Na época me aconselharam a desistir do meu sonho, que buscasse uma vaga nas fábricas de calçados, que muito precisavam de mão-de-obra.

• O que destacaria da sua juventude?
O jovem ambicioso não tinha tempo para amenidades, mergulhei logo e com muita vontade na radiodifusão. Mesmo com pouca prática. Progresso de NH, Real e Clube de Canoas, União, Pampa, Continental em Porto Alegre. Trabalhei na extinta Rádio Porto Alegre das Emissoras Reunidas, rede de 21 rádios pelo interior do Estado, e fui convidado para atuar em Encantado. Lá fiquei por mais de uma década. E, paralelo com o trabalho na rádio local, criei o jornal Opinião, que circula até hoje naquela cidade. Cada exemplar que recebo pelo correio é alegria renovada.

• E a volta para Taquara, como foi?
Embora rebelde e nem sempre obediente, atendi o apelo de meus pais, já idosos e doentes, para que voltasse a Taquara, pois precisavam de apoio. Não havia jornal aqui, fiz nascer o Panorama. E belos dias vieram. Conheci uma jovem loira de Sapiranga. Juntos arregaçamos as mangas e mergulhamos no trabalho. O Panorama vingou, prosperou e, se hoje é sucesso, devo creditar em grande parte à persistência, talento e incentivo da Inge Dienstmann. Construímos juntos a credibilidade do jornal, conquistamos apoios e confiança vindos de todos os lados. A marca de 42 anos de um jornal em Taquara é troféu que compensa qualquer esforço. Demos o melhor, com fé e dedicação.

• O que aprecia a título de lazer?
Na juventude, até piloto de corrida fui. Participei de provas em Tarumã, Guaporé e Cascavel, talvez motivado pelas carreteras que testemunhei quando criança; eram provas em estradas de chão, e reuniam grandes pilotos da época; um dos trechos acontecia entre Porto Alegre e São Francisco de Paula, era um grande acontecimento na minha juventude, e me impulsionou para o desejo de correr também. Foi um hobby durante algum período. Atualmente, além do prazer no trabalho, nossa alegria é completa com o brilho dos netos Valentina e do Henri, seres resplandescentes, que nossa filha Vanessa colocou em nosso caminho. Nada se compara à companhia e o carinho dos netos, e a reunir toda a família em momentos de lazer.

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