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Onde a verdade?, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Eleição é a forma democrática de nomear um ditador em seu nome. É desastroso quando o eleito acredita nesse poder. E sempre acontece!

Onde a verdade?

Antes do “Meu cinicário”, a presente coleção de frases – um analecto, coletânea de ditados, ou, máximas – que abre “Penso, logo insisto”, já escrevi outras duas desde agosto de 2005, sempre as empregando no topo dos meus textos. É, na verdade, um tipo de diversão. Cantores amam cantar; amantes da bola jogam futebol, ou vôlei, ou basquete, e por aí vai (sabe-se lá, os esportes praticados com bola)! Cada macaco no seu galho, diz o velho… ditado! Como pretendo que o meu galho seja o da literatura, assim tenho procedido: escrevendo.

            Por qual razão estarei fazendo esta digressão no introito do comentário de hoje? Porque recordei uma das frases do “Meus tuítes”, a coletânea número 2. Diz ela: “Nunca houve uma ‘greve geral’. Se tivesse havido, jamais saberíamos os acontecimentos da dita paralisação. A mídia também estaria parada”. Interessante, há coisas só entendidas pela sua intenção. Mal resistem a análise mais profunda. Quando se fala numa greve desse tipo, seus promotores pensam em causar o máximo prejuízo a toda a sociedade, criando uma espécie de refém para chantagear quem se sentir prejudicado. Mas precisa que ela, a sociedade, tome conhecimento dos danos causados pelo movimento (outra ironia: chamar paralisação de movimento). Se não houver tal conhecimento, o fator propaganda deixará de render frutos e tudo terá sido em vão. Nesse ponto, entram em ação as notícias, mostrando os supostos danos causados pela greve, reais ou imaginários. Logo, sem divulgação, “greve geral” é balela! Nem todos estão nela.

            E, então, chegamos à problemática atual. Estamos vivendo um forçado distanciamento social, eufemismo para ficarmos bem afastados fisicamente uns dos outros. O motivo é a pandemia causada pela COVID-19. A distância entre as pessoas, agregada a práticas higiênicas mais acuradas e às máscaras, em teoria, dificulta a propagação do vírus responsável pela doença. Novamente, o noticiário ficou responsável pelo incentivo da vigência desse procedimento. E, embora todos os setores econômicos da nação estejam submetidos à quarentena (a esta altura, dois meses), sofrendo com dificuldades financeiras, a imprensa apenas mascarou sua atividade e continua a pleno vapor faturando alto. Principalmente a televisão, o veículo de comunicação mais popular. Os jornais, mesmo nestes tempos duros para a mídia impressa, continuam sendo vendidos. Não serão eles, também, um vetor de contágio? Ou a gente pode passar álcool gel nas suas páginas?

            Caros leitores, esperando voltar a circular livremente outra vez, aproveito o dia do abraço e lhes mando um abraço bem apertado… longe.

Por Plínio Dias Zíngano
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