Oportunismos e oportunidades, por Roseli Santos

Leia artigo da jornalista Roseli Santos no site do Panorama.

Oportunismos e oportunidades

Se a ocasião faz o ladrão, eu não sei, mas que o ladrão é um oportunista, isso é. Atento ao que pode “furtar”, “roubar” ou “sugar” do outro, e não me refiro, nesse caso, só aos políticos corruptos que infestam este país, observo, cada vez mais, pessoas se “marginalizando” em delitos morais, éticos e sociais no seu dia a dia.

São sequestradores de ideias, ladrões de projetos, usurpadores do que não lhes pertence por direito e por mérito, nem por dedicação e esforço. Basta um olhar mais atento e já me vem à mente velhos pensamentos e frases que ainda se impõem como vantagem, nos tempos atuais, como: nada se cria, tudo se copia; brasileiro sempre tem um jeitinho para tudo; cara de pau para isso não lhe falta; o mundo é dos espertos; e por aí vai.

Nada de novo. O oportunista sempre estará ali, à espreita, para dar o calote e botar a mão naquilo que não teve competência para construir ou adquirir por conta própria. Em todos os segmentos, haverá um espertinho, se apropriando de algo para se dar bem aos olhos dos outros, tentando impressionar por meios nem sempre justificados.

Isso vale para todas as classes e faixas etárias. Quem nunca se destacou por conta própria, tem baixa autoestima, não ergue e solidifica suas próprias paredes, acaba por invejar a vida alheia, na tentativa de arrombar a porta do vizinho na calada da noite e levar o que puder, ainda que nem saiba o que fazer com o produto do roubo.

Oportunidade é outra coisa. Quem sabe aproveitar os momentos que a vida oferece gratuitamente, como uma chance de evoluir sem querer levar injusta e imerecida vantagem, progride. Isso é fato e tenho vivenciado em muitos anos de experiência em todos os projetos que eu mesma,  e muitos colegas de trabalho, desenvolvemos e criamos, por nossa conta e risco.

Oportunistas farejam uma brecha para articular, às vezes com perspicácia e maldade, um “plano” que possa servir de trampolim para conseguirem mais rapidamente o que não galgaram com tempo e paciência, competência e muito trabalho, palavrinhas mágicas que fazem toda a diferença.

Cansei de participar de inúmeras reuniões, palestras e eventos onde o “sequestrador” de ideias ou de projetos ou de qualquer coisa que tenha se apropriado para “brilhar” não fica nem vermelho em surrupiar o alheio e ainda ser aplaudido pela ingênua plateia, também iludida pela falsidade da cópia malfeita que não se sustentará por muito tempo.

Para os “ladrões” recém-chegados, iniciantes na carreira, aconselho repensarem enquanto é tempo e aproveitarem essa oportunidade única que é ser quem se é. Sucesso e progresso não se rouba, se conquista, às vezes à duras penas, mas sempre com gostinho de vitória e imensa alegria. O resto, é oportunismo que se desfaz, assim que forem flagrados pulando o muro quando o alarme soar.

Roseli Santos
Jornalista, de Taquara
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