Os Livros, por Plínio Zíngano

Leia a coluna "Penso, Logo Insisto", assinada pelo professor Plínio Dias Zíngano.

Do “Meu cinicário” – A História está em TODOS os livros de História. Não, apenas, nos livros CERTOS. Fora disto, qualquer visão é sectária.

Os Livros

De maneira geral, meus comentários, aqui, não abordam o mesmo assunto tratado nas frases de abertura da coluna. Procuro deixar separados os assuntos. Essas frases, aliás, já estão na sua terceira geração, tendo começado com “Do meu livro de citações”, em 2005, seguida de “Do meu tuíter”, em 2011 e, agora, “Do meu cinicário”. Mas, coincidentemente, quando pretendia escrever sobre a leitura e a atividade escolar (vira e mexe, volto à sala de aula), surgiu o assunto do cancelamento da apresentação de uma escritora na feira de livros em Nova Hartz, quando falaria a estudantes, convidada pela prefeitura.

A alegação foi que o livro-tema da palestra, de sua autoria, continha linguagem inadequada à faixa etária do público alvo, crianças de 6º a 9º Anos. Ignoro quais seriam essas palavras, mas tento imaginar as coisas pavorosas ali escritas, às quais eu não teria tido acesso, na minha adolescência, de 1956 a 1959 (1ª a 4ª Séries ginasiais, adaptando ao atual sistema escolar). Quem sabe, em todo esse tempo, a sociedade me protegeu de palavras impróprias à minha formação e eu, bobinho, tenha ignorado esse esforço protetor, mal-agradecido que sou. Em contrapartida, podem ter certeza, pessoal aí de Nova Hartz, há sessenta anos, a gente já sabia cada coisa! E aprendia, além de nas ruas, também no pátio das escolas. Apenas não posso culpar a televisão porque, ao Rio Grande do Sul, essa mídia só chegou em 1959, com a inauguração da TV Piratini.

Mas prestigiarei a decisão dos governantes de Nova Hartz. Nem vou ler ou mencionar o título do livro estopim dessa decisão… bombástica (perdão, leitores, o trocadilho estava ali, pronto), pois não me atrai o seu tipo de literatura. A prefeitura podia ter evitado essa c(*) – aqui, sim, uma palavra imprópria – e sua repercussão negativa se tivesse feito o contrário: bastava ler o livro e, tendo julgado a obra um atentado – ao quê, mesmo? – convidado outro autor antes de causar este tumulto. A escritora foi promovida! É uma autora premiada em vários concursos literários e um escândalo desses, embora longe de sua intenção, serve para atiçar a curiosidade, logicamente, incrementando as vendas.

Voltando à frase do Cinicário, lá da abertura deste texto, ela foi escrita depois duma amistosa divergência política, quando alguém tentou dizer que eu, talvez tivesse lido muitos livros de História, mas esquecera de ler os certos. Espero, desta vez, acertar e estar “esquecendo” o errado.

Por Plínio Dias Zíngano
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