Pequena guerreira: parobeenses lançam Vakinha para angariar recursos e manter tratamento da filha que nasceu com tumor raro

Caso foi descoberto nos exames de pré-natal e atendido por médicos de São Paulo, os únicos que aceitaram cuidar da criança.

Solidariedade e empatia, duas palavras simples, mas que podem fazer toda a diferença na rotina dos parobeenses Maicon de Abreu e Leilani de Abreu. O casal lançou, nesta semana, uma campanha online para angariar recursos e manter o tratamento da filha mais nova, que nasceu com um tumor raro e só conseguiu atendimento fora do estado. A família contou à reportagem do Jornal Panorama que o tumor foi diagnosticado no início da gestação. Tão logo, iniciou-se a procura por um profissional que pudesse acompanhar e tratar o caso. Porém, devido à complexidade do quadro e do possível desenvolvimento dele, o casal só conseguiu atendimento fora do estado, no Hospital de Câncer de Barretos (SP). A situação comprometeu o orçamento familiar, representando muitas despesas com aluguel, passagens aéreas e alimentação, por exemplo. Foi então que surgiu a ideia de criar uma campanha de colaboração espontânea, via internet, que está ativa no site Vakinha, com o título “Brenda, estamos contigo”.


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Uma gestação planejada

Maicon e Leilani estão casados há nove anos. O casal conta que a gestação da filha caçula, Brenda, foi muito planejada e desejada, principalmente para dar um (a) irmãozinho (a) à primogênita, Carolina, que tem cinco anos. Segundo Maicon, por ser filho único e admirar a relação da esposa com as duas irmãs dela, o casal considerou aumentar a família. A confirmação da gravidez foi uma alegria, mas logo vieram as preocupações inesperadas. Maicon conta que o tumor foi diagnosticado logo no início da rotina do pré-natal. Ele e a esposa não tinham ideia do que se tratava, mas não tiveram dúvidas de que fariam o que fosse necessário para garantir a vida da pequena Brenda. O casal iniciou a busca por profissionais que assumissem o tratamento da bebê. Receberam muitas respostas negativas, e chegaram a desanimar muitas vezes, frente ao acaso e à sensação de impotência. Foi quando um amigo comentou sobre o Hospital de Câncer de Barretos (SP).


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A partir de então, a história da família Abreu – que corria contra o tempo, já que para tratar Brenda os médicos teriam que assumir o caso ainda no período de gestação, e as semanas avançavam rapidamente – começou a mudar. Os parobeenses entraram em contato com a direção do hospital paulista e apresentaram a história deles, verificando se haveria a possibilidade da equipe médica da casa de saúde trabalhar no caso. O hospital pediu que a família aguardasse retorno e a resposta foi positiva. No entanto, para que Brenda pudesse ser operada em Barretos ela teria que nascer na cidade, e o Hospital de Câncer não possui obstetrícia. Maicon se emocionou ao contar que a própria instituição de saúde se comprometeu em contatar a direção do Hospital Santa Casa da cidade, para ver se eles assumiriam o parto e, posteriormente, transfeririam Brenda para a cirurgia de retirada do tumor.

Duas semanas foi o tempo que a família aguardou pela segunda resposta. Um telefonema anunciou a boa nova. Ambos os hospitais aceitaram tratar Brenda. A família não demorou a providenciar a viagem, mesmo sabendo das despesas. Sem conhecer a cidade paulista, o casal voou para Barretos e foi acolhido, segundo eles, com um carinho e consideração singular. Uma enfermeira os visitou ainda no hotel, onde tiveram que se hospedar, já que não tinham familiar algum na cidade. Maicon conta que a profissional foi como um anjo, enviado para os encorajar e confortar. O casal foi conhecer ambos os hospitais e as equipes que cuidariam de Brenda e também da mamãe Leilani. Foram os primeiros passos para o tratamento da pequena. Paralelo a isso, o casal teve que administrar os empregos – Maicon precisou sair para acompanhar a esposa, que conseguiu se afastar de suas atividades laborais via licença maternidade. A família foi indispensável nesse momento, principalmente dando suporte à primogênita do casal, que ficou em Parobé, ausente dos pais.

Uma pequena guerreira

Brenda nasceu no dia 27 de setembro, deste ano. A bebê pesou 3,630 Kg, porém, 1,127 Kg do peso dela corresponderam ao tumor. A pequena permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Casa – onde nasceu – até o dia 30, quando foi transferida para o Hospital de Câncer e foi operada no dia dois de outubro. A cirurgia, considerada de alto risco, durou horas. Segundo Maicon, os médicos disseram que a pequena foi uma verdadeira guerreira, pois, devido o grau de precisão demandado à equipe, ela poderia sofrer algum tipo de reação e acabar não resistindo. Exausta, Brenda passou por duas transfusões de sangue, em virtude da perda que teve durante a operação. Maicon conta que a filha ficou bastante debilitada, quadro que na semana seguinte já se mostrava em mudança, com Brenda progredindo.

No entanto, a luta da pequena ainda não havia sido concluída. A bebê acabou desenvolvendo ferimentos na região de cicatrização, que abrange parte das costas e bumbum, em função da higienização de suas fezes. Os médicos decidiram que teriam que submeter Brenda a uma nova cirurgia, realizada na última quarta-feira (09), para adaptar uma bolsa de colostomia e desviar as fezes da pequena, ajudando no processo de cicatrização da cirurgia anterior. De acordo com a família, o estado de saúde da pequena é considerado grave, porém, os médicos afirmam que ela tem progredido dia após dia. O pai diz que é preciso ter paciência e, mesmo que a filha não entenda, estar ao lado dela, torcendo para que a recuperação seja perfeita. Maicon conta que é um processo muito intenso, mas que, graças a Deus, a equipe do Hospital de Câncer é indescritível, profissional e pessoalmente, falando. Que o tratamento que dão à bebê e à família faz toda a diferença no processo.

Maicon também conta que, enquanto Brenda se recupera, a equipe médica também aguarda o resultado do exame patológico para confirmar a espécie do tumor retirado de Brenda. O pai diz que, na maioria dos casos, o tumor teratoma na região sacrococcígea é benigno. Porém, mesmo que seja confirmada a benignidade, Brenda deve ser acompanhada pelos profissionais até a adolescência dela, com frequência que será definida pelo estado de saúde da pequena (bimestrais, semestrais ou anuais). As consultas servirão para o rastreamento de marcadores tumorais.

Sem a previsão de alta médica, a família se organiza como pode para acompanhar Brenda e auxiliar Leilani. Maicon conta que o casal teve que alugar um kitnet, cujo aluguel custa R$1mil. Além da despesa fixa, eles ainda gastam com alimentação e com deslocamento, de Parobé a Barretos, já que ele volta periodicamente para ver a filha mais velha, que está com os avós em Parobé. O casal ainda precisa do auxílio de, pelo menos, duas pessoas, em virtude da ida e vinda que Maicon realiza. Segundo ele, o tratamento de Brenda é totalmente via Sistema Único de Saúde (SUS), mas os gastos extras acabam pesando bastante. O parobeense afirma que qualquer ajuda é bem-vinda. Que a Vakinha virtual foi iniciativa de uma prima de Leilani, e representa muito para a família. O casal também divulgou uma conta bancária, para o caso de alguém se interessar em ajudar diretamente, livre do desconto que o site da campanha online cobra. A família declarou que a caminhada será longa, e que qualquer colaboração, por menor que seja, representa muito para a saúde de Brenda.

Como ajudar via conta bancária:

CONTA POUPANÇA: 3949-9, na CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – LEILANI DE AVILA DA SILVA. AGÊNCIA: 1391 e OPERAÇÃO: 013.