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Permissão para pensar, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – A pandemia provocada pelo COVID-19 me ensinou uma coisa muito séria: não nasci para ser cirurgião ou tatuador. Incompatível com a máscara!

PERMISSÃO PARA PENSAR

Os últimos dias têm sido efervescentes no âmbito político brasileiro. Ignoro como foi em outros países, mas nós conseguimos agregar muito mais vírus à pandemia da COVID-19, sendo ela, por si só, tensa demais. O botão do pânico está calcado fundo desde fevereiro, após passado o Carnaval – é claro! –, porque ninguém é bobo. Jamais fazer isolamento social, justamente, quando o apertão social é mais gostoso, lará-lá-iá, oba!

            Nesta semana, então, o ardimento da situação está bem próximo do ápice, embora ninguém saiba bem qual seja esse ponto. Mas de que estamos tratando? Segundo meu modesto entendimento, o assunto em pauta é a censura. Já escrevi neste espaço sobre isso em umas cinco crônicas diferentes. Até parece que é fixação pelo tema. Na verdade, sinto medo. Ela é cruel e prova da sanha opressora de alguém sobre outro alguém.

            Não é feio ter crenças ou vontades particulares e externá-las, pautando nossas vidas pelos princípios julgados corretos, desde que esses princípios estejam em acordo com os diplomas legais vigentes. Trocar ideias faz parte da interação social. O perigo acontece quando se quer forçar outras pessoas a seguir nossos ideais, impedindo-as de ter seus pensamentos próprios. O mundo está cheio de Moiséses (gostaram do plural?) descendo a montanha com tábuas de pedra debaixo dos braços, julgando poder forçar as gentes a seguir as leis nelas gravadas, sob ameaça do fogo eterno para quem se atrever a expor seu pensamento, mesmo, apenas, um viés levemente diferente  Alguns levam muito ao pé da letra a mensagem escrita naquelas pedras. Digo mais: elaboram longos pareceres, justificando suas conclusões e decisões, eles próprios transgredindo os tais diplomas legais. E olhem que estou abordando somente a área das ideias.

            Essa história das fake news e dos factoides é preocupante, mas resolvíveis. Creio que os factoides são mais perigosos, pois são fatos reais, porém distorcidos para dar a entender uma veracidade inexistente. Um texto, até pela forma como é lido, pode induzir a uma compreensão absurda em relação à intenção original. As fake são verificáveis e facilmente perdem seu veneno. Basta checar todas as informações. Do contrário, olha a censura aí, gente!

            A Humanidade parece ter esquecido o sórdido período da Inquisição, quando tão somente não acreditar em uma história era motivo para um encontro definitivo com o grande escuro.

Por Plínio Dias Zíngano
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