Polícia Civil indicia empresário de Três Coroas por suspeita de desvio de dinheiro da FCDL

Vitor Koch é investigado por suspeitas de irregularidades em entidade estadual.
Mandados são cumpridos na sede da empresa de Vitor Koch em Três Coroas. Divulgação

A Polícia Civil desencadeou, nesta sexta-feira (29), operação que investiga supostos desvios de dinheiro na Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL). Entre as apurações, estão a emissão de notas fiscais fraudadas em serviços cobrados e não prestados e uso de dinheiro da instituição para despesas pessoais e compra de apoio para eleições internas. A Operação Lojista cumpre mandados de busca e apreensão em sete endereços, inclusive na sede da FCDL. A Justiça ainda autorizou bloqueio de bens móveis e imóveis dos investigados e de valores em contas bancárias.


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Segundo a Polícia, o alvo principal da investigação é o atual presidente da FCDL, o empresário de Três Coroas, Vitor Koch. O site GaúchaZH informa que o delegado Juliano Ferreira, titular da 17ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, indiciou Koch, sua esposa, Carla Elisa Koch, o empresário Pedro Ênio Schneider e os funcionários da FCDL Leonardo Neira e Raquel Garcia Nick Fraga por crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa.


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Ainda segundo as informações divulgadas, os policiais calculam que os desvios teriam ocorrido por 13 anos e podem alcançar a cifra de R$ 10 milhões. A estimativa é feita com base em quebras de sigilo bancário, fiscal e, também, em confissões de envolvidos. As buscas desta sexta-feira (27) ocorreram no gabinete de Koch na sede da FCDL e nas salas dos dois funcionários investigados. Mandados também foram cumpridos em Três Coroas, na casa do presidente da entidade, em um apartamento e na empresa dele.

Desde que as denúncias vieram a público, por suspeitas levantadas por dirigentes da entidade, Koch tem negado as acusações, reafirmando que todas as contas da entidade são auditadas. As suspeitas foram apresentadas às autoridades pelo vice-presidente da FCDL, Fernando Palaoro.

Entre as investigações, a Polícia Civil menciona que a FCDL adquiriu vários produtos, em 2015, 2016 e 2017, na loja Silmar, cuja sede fica na rua Mundo Novo, em Três Coroas, e pertence a Vitor Koch, que está no cargo de presidente da entidade há 13 anos. As compras teriam totalizado R$ 63,3 mil em três anos, o que demonstraria favorecimento ao presidente da FCDL, o que é proibido pelo estatuto da entidade. Outra apuração é de que um assessor da presidência da FCDL recebeu, além de salário, bonificações que estão sub suspeita. Outra apuração é de pagamento irregular de despesas de campanha.

De acordo com as apurações, o denunciante assegurou que R$ 1,8 milhão teria sido gasto pela presidência da FCDL em serviços irregulares, que não foram prestados. Os pagamentos eram feitos a duas empresas gráficas e uma de comércio de vinhos. As três firmas, no entanto, funcionam no mesmo endereço e têm como diretor a mesma pessoa.

Vitor Koch repudia acusações

O empresário Vitor Koch divulgou nota, nesta sexta-feira, repudiando as acusações e a exposição do seu nome. Afirma que não cometeu nenhum ilícito, crime ou irregularidade, conforme comprovariam as aprovações de todas as contas da FCDL-RS pelos órgãos competentes. “Ao longo dos últimos tempos, por força de uma guerra política que se instaurou na entidade após o último pleito eleitoral, sofri tentativa de extorsão e ameaças, objeto de ocorrência policial por mim registrada, exatamente por não compactuar com procedimentos escusos que me foram propostos pelos denunciantes. Tudo será comprovado e as consequências dos prejuízos serão devidamente atribuídos. Minha honra e minha história à frente do Movimento Lojista fala por si próprio”, afirma.

Já a FCDL-RS também divulgou nota se manifestando sobre a operação da Polícia Civil. Segundo a entidade, as denúncias que ensejaram a operação policial têm forte cunho político, conforme atestam as diversas atas de reuniões no âmbito interno da entidade, da sua diretoria, do Conselho Fiscal e assembleias, assim como ações judiciais ajuizadas e ocorrência policial registrada pelo presidente da Federação denunciando tentativa de extorsão praticada por um dos denunciantes, diretor da entidade.

No texto, a entidade afirma que não há nenhuma irregularidade ou quaisquer desvios de recursos no âmbito da entidade, cujas contas foram aprovadas sem ressalvas pelo Conselho Fiscal, pela auditoria independente, pela contabilidade e pelas assembleias, das quais participaram os próprios denunciantes. “A situação em que se vê envolvida a FCDL-RS decorre de um embate político instaurado por aqueles que perderam o último pleito eleitoral, aliados a membros opositores da atual diretoria”, acrescenta a nota.

A FCDL afirma que está em contato com as autoridades para tomar conhecimento dos fatos e do teor do inquérito policial para que possa prestar mais esclarecimentos ao movimento lojista e à sociedade. A entidade encerra a nota afirmando que está à disposição da Polícia Civil, do Ministério Público, do Poder Judiciário, bem como de seus associados, para prestar todos os esclarecimentos necessários.