Preço ou Valor

O mundo está tão tecnológico, tão complexo, que a saída é a volta ao simples. Retornar ao formato original, porém com o conhecimento adquirido, um novo começo. Quando falo isto é inevitável lembrar que recomeçamos a todo momento. Todo dia, ao acordar, estamos retomando o marco zero da nossa existência, encarar o hoje.

E, todos os dias, alguém inicia a corrida do ouro, a invenção da roda, ao algo tão dramático para a evolução do mundo, ou a cura para uma doença grave, para evolução da espécie. Isto se faz há anos! Em cada época, com uma nova temática, uma nova revolução, uma nova tecnologia, uma nova ou renovada forma de olhar a mesma coisa.

Assim é a vida. Como quantificar o preço que se paga? Ou o valor agregado a cada etapa ou ação?! Como costumo dizer, isto já foi cantado em verso e prosa e ainda há “pano para manga”, como diriam as bisas.

É relativamente fácil calcular o preço, tudo tem o seu, mas e o valor? Não estamos confundindo um pouco um com o outro? Não estamos olhando o preço que se paga quando vale a “pena”? Sem se deter no valor?

Fala-se tanto em empoderamento e valorização. Empoderar é conceder poder ao que não tem. Popularizado, este termo quer dizer dar mais poder, valorizar. Este valor tem preço? Temos que dar de volta o que era naturalmente para termos, como, por exemplo, para limpar um rio que nós mesmos sujamos.

Na volta à simplicidade que citei acima, vamos falar em comer uma verdura ou fruta orgânica, sem agrotóxico ou química qualquer. A natureza e sua expressão genuína com o adubo do resíduo que separamos. Mesmo sem os custos dos aditivos e o fato de ser direto da horta, que pode até ser mais perto, faz hoje este produto mais caro que o quimicamente processado, pelo simples fato que se tem consciência do benefício do natural, o envolvimento pessoal naquela horta manualmente cuidada, e a pureza deste produto. O valor que ele tem mexeu no seu preço. Pagamos mais pelo que já tínhamos. O natural.

E é ai o ponto. Orçamos e calculamos o preço de uma viagem, o valor desta é pessoal e intransferível. Pagamos um preço pelo plano de saúde, mas o valor da saúde é imensurável. Compramos um carro com o preço de mercado, mas o que faremos com ele é que dirá qual o seu valor. Enfim, poderia citar inúmeras situações. Agora, pense em você, o quanto investe em você mesmo? O quanto você gasta consigo? Qual o seu preço? O seu custo pessoal? E quanto custa a sua hora? O seu trabalho? Pagamos caro por entretenimento e prazer. Será que não temos que ser mais o nosso natural? Tempo, carinho e atenção tem valor.

E agora me diga… qual o valor de ter se formado? Qual o valor de poder almoçar com a família mais vezes na semana? Qual o valor de poder viajar nas férias? Qual o valor de ter um convênio de saúde? Qual o valor de ter uma roupa bonita para se sentir mais seguro?

Quando você tirar um dinheiro do bolso para pagar um preço, pense se o produto, ação ou serviço tem valor para você. E quando se empolgar com o valor de algo, pense se vale o preço. Custo de vida tem preço, qualidade de vida tem valor. Equilíbrio! Simples assim.