Prêmios e Títulos, por Plínio Dias Zíngano

Leia a coluna "Penso, Logo Insisto", assinada pelo professor Plínio Dias Zíngano.

Do “Meu cinicário” – Certas coisas faladas não são, necessariamente, as coisas certas a serem faladas! Provavelmente, quase sempre, muito antes pelo contrário.

PRÊMIOS E TÍTULOS

Quando lemos as palavras do título deste texto, logo nos vem à mente honras e riquezas. No mundo competitivo, como o nosso é, e sempre foi, quem não gostaria de receber o destaque conferido por uma delas (as palavras, é claro!)?

As agremiações empenham-se para serem tituladas como campeãs, vencendo suas congêneres em acirradíssimas batalhas esportivas, às vezes, até, sangrentas e muito menos esportivas. Quantas jovens já concorreram ao título de “Miss Universo”, na pretensão de serem consideradas as mais belas do – veja só – universo (e bote pretensão nisso). Hoje, nada mais do que um desejo politicamente incorreto.

A democracia, o melhor pior sistema para definir os governantes de uma nação, também se enquadra nestas palavras, pois, em tese, faz o levantamento da vontade da maioria do povo dessa determinada nação. Desconsidera aqueles quem não atingiu o total necessário para superar em número os seus concorrentes e, eles próprios, receberem as recompensas.

Dentre essas poucas disputas mencionadas, de tantas possíveis entre as pessoas do mundo, existem duas que me incomodam sobremaneira, embora, para mim, sejam inexpressivas, exceto pelo fato de sua bobagem, maior mesmo do que ser a mulher mais bonita do universo. Falo do Prêmio Nobel da Paz e do título Doutor Honoris Causa.

Causa-me espanto a repercussão obtida na opinião pública a sua concessão a alguém, dando a entender que os laureados tenham qualidades excepcionais nesses quesitos mencionados pelos nomes das honrarias.  Não consigo imaginar um laureado, ou em vias de ser, com o Nobel da Paz, sendo grosseiro em suas interações públicas, quase chegando às vias de fato. Pode parecer infantil meu pensamento, mas, cá entre nós, cria um sentimento de desconfiança. De qual paz estariam essas pessoas falando? O mesmo serve para quem tenha, ou pretenda ter, o título de Doutor em Causa da Honra. A primeira, e fundamental, exigência é ser honrado. Porém, esse é um conceito de extrema indefinição e adaptável a circunstâncias tão antagônicas que me espanta ser usado com… honradez, como num título de doutor.

Na verdade, esses dois galardões não passam de eslôgãs publicitários, promovendo pessoas et caterva cujos objetivos estão longe de ser pacíficos e honrados.

Por Plínio Dias Zíngano
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