Priscila Kasper

Priscila Kasper


Priscila Fabiane Kasper (38), professora e coordenadora de Curso Técnico em Eletrônica da Escola Técnica Estadual Monteiro Lobato (Cimol), casada com Alexandre Pereira da Rosa, há 15 anos, mãe da Lara (7).


Uma mulher de bem com a vida, sonhadora e que acredita em um mundo melhor através da educação. Trabalho bastante, mas nunca deixo de reservar um tempo para a família. Adoro aproveitar momentos com minha filha e meu marido. Sou dedicada e muito responsável, ao mesmo tempo levo a vida descontraída e leve. Gosto das nossas tradições, valorizo as coisas simples, sentar e tomar um chimarrão ao final do dia é uma delas.

CONTE SOBRE A TUA RELAÇÃO COM O CIMOL:
Minha relação com o Cimol começou em 1994, quando meus pais me obrigaram a estudar nessa escola. Na cabeça deles, era a melhor da cidade, e o curso de Eletrônica, o menos masculino. Hoje eu agradeço a eles por terem me matriculado em uma excelente escola. Na época, o curso técnico era realizado em quatro anos mais o estágio. Tive o prazer de ser aluna do mestre Bauer, era um paizão. Logo que comecei a ter aula com ele, confesso que tinha um pouco de medo. Afinal, era uma lenda. Mas, com o tempo, fui percebendo um homem de bom coração, humilde, dedicado, um verdadeiro exemplo. Também foi no Cimol que conheci meu marido, estudante do curso de Eletrônica, mas de turma diferente. Começamos a namorar já no primeiro ano (em 1994), e estamos juntos até hoje. Construímos uma família, temos a nossa baixinha de sete anos. Ele é um super parceiro, me apoia em tudo e é um excelente pai.
Quando cheguei à fase do estágio, o diretor da Escola me convidou para realizá-lo no Cimol, logo assumi algumas turmas de Práticas Profissionais e Projetos, e auxiliei o professor Bauer na oficina. Desde então se passaram 23 anos, fui conhecendo todos os aspectos do Cimol, principalmente a filosofia da escola. Hoje sou uma “cimoleira” com orgulho, aprendi a respeitar e zelar por essa escola.

HOJE EM DIA, QUAIS SÃO TUAS TAREFAS NO EDUCANDÁRIO?
Professora, coordenadora de Curso Técnico em Eletrônica, coordenadora da Feintec (Feira de Inovação Tecnológica), coordenadora do Setor de Relações Institucionais e coordenadora de Estágio.
Eu já lecionei seis disciplinas diferentes no curso de eletrônica, há cinco anos fui convidada a assumir a Coordenação do Curso, e como a pessoa aqui (risos) não sabe dizer não, assumi.
Em 2007 iniciamos uma feira interna, um desafio, afinal éramos acostumados a participar de Mostratec, Febrace(SP), mas com projetos escolhidos internamente, nunca tínhamos feito uma feira. A equipe de organização dessa feira sofreu muitas mudanças, mas eu sempre permaneci, até que fiquei como Coordenadora da Feintec desde 2009. O evento hoje é um sucesso, com mais de 50 projetos que envolvem todos os cursos e diversos parceiros da Escola, empresas e avaliadores externos. Também organizo a participação da nossa escola em feiras como MEP (Mostra de Escolas Estaduais da Educação Profissional), Mostratec, e outras, quando ganhamos credenciais.
Organizar a Feintec é muito gratificante, principalmente quando ouço dos alunos o quanto a feira ajuda no seu desenvolvimento pessoal e profissional. Em 2014, tive o prazer de ser convidada para orientar um trabalho destaque da nossa escola, com este projeto fui a Houston/Texas, numa das maiores feiras de sustentabilidade do mundo.

PROFESSOR TEM SALÁRIO PARCELADO, DEVERIA GANHAR MELHOR, ISSO É O QUE TODOS DIZEM. MAS, AFINAL, POR QUE VALE A PENA ESTAR EM SALA DE AULA?
Tive a oportunidade de trabalhar em uma empresa da área de ponto eletrônico, o dono da empresa me convidou para trabalhar com eles e me fez uma proposta bem diferente: como eu estava no Cimol, a empresa me propôs trabalhar quintas e sextas-feiras. Nos outros dias, eu trabalhava três turnos no Cimol, para cumprir a carga horária, e fazia faculdade sábado o dia inteiro. Foi um ano muito corrido, até o dia em que fui chamada na sala da diretoria da empresa e solicitaram uma decisão, ficaria com eles ou com o Cimol. Eu decidi pelo Cimol, e quando me perguntam sobre por que vale a pena, com certeza não é por causa do dinheiro, e sim por amor à escola, por gostar de conviver com adolescentes, às vezes, com alunos que têm a idade dos meus pais. É um dia diferente do outro, um dia cobrando os alunos para se dedicarem, outro dia recebendo aluno na minha sala chorando. Trabalhando alguns dias como conselheira, recebendo abraços espontâneos de agradecimento por algumas palavras que tenha dito, aquele orgulho imenso de ver o adolescente virando um homem, uma mulher, indo para o mercado de trabalho preparado teoricamente, mas principalmente um ser humano que fará a diferença lá fora. Orgulho-me de vê-los na faculdade, viajando pelo mundo a trabalho, mostrando suas empresas e voltando na escola para nos visitarem, apresentando o seu empreendimento, vindo contratar alunos e estagiários nossos.

GREMISTA, MÃE E PROFESSORA: QUAL DAS TRÊS PAIXÕES VEIO PRIMEIRO?
Gremista, sim, com muito orgulho! Sou muito ligada em futebol e com isso acabei influenciando a minha filha, que hoje faz torcida comigo e “debocha” do pai por ser colorado sofredor (risos).
Na infância eu queria ser secretária, tanto que meu avô, que era marceneiro, fez uma mesa com gavetas para mim, pois toda secretária tem mesa com gaveta, dizia ele. Providenciou uma cadeira de rodinhas e um fichário para controle dos clientes, isso quando eu tinha sete pra oito anos. Ele dava a maior corda. Sempre fui muito organizada, tanto que em vez de brincar eu organizava os meus brinquedos na estante que eu tinha. A vontade de ser professora surgiu no ensino médio, quando eu assumi uma turma de uma hora pra outra e dei conta. Nunca me esqueço do dia em que entrei na sala de aula com um professor de práticas profissionais para auxiliá-lo e ele simplesmente me apresentou para a turma como a nova professora, eu tremia feito “vara verde”. Mas a vergonha foi passando, fui gostando, me preparando, e estou aqui até hoje.
Sempre quis ser mãe, e sempre pensei em ser mãe de menina, e lá veio a Lara, saudável, forte e linda, numa manhã fria de 12 de junho. Meu presente de dia dos namorados, pessoinha que preenche meus dias, inteligente, carinhosa e muito esperta.

O QUE VOCÊ ESCUTAVA DOS SEUS PAIS QUANDO JOVEM, E QUE HOJE, COM A FAMÍLIA E VIDA PROFISSIONAL, VOCÊ OLHA PARA TRÁS E PERCEBE QUE ELES ESTAVAM CERTOS?
Sempre me falavam para estudar, falar a verdade e ser honesta. E levei isso ao pé na letra, sempre fui boa aluna, me dediquei, sempre estudei em escola pública. Falar a verdade e ser honesta são coisas que também eu e meu marido tentamos mostrar para nossa filha. Acredito na base familiar para tudo, e essa base trazemos de casa. Aprendi que temos que construir nossa imagem sobre atitudes corretas, seguindo sempre o caminho do bem, respeitar para ser respeitada e plantar para colher, são as premissas que levo para a vida e tento repassar para milha filha.

TEM ALGUM MOMENTO DE SUPERAÇÃO NA SUA VIDA QUE GOSTARIA DE COMPARTILHAR? SE SIM, QUAL?
A perda da primeira gestação, foi muito duro. Já tinha contado para todo mundo, ganhado roupinhas, eu e meu marido estávamos radiantes. Planejei engravidar com 30 anos, minha primeira gestão foi ectópica, minha médica diz que eu fui aquele caso do asterisco da medicina, pois eu tive um feto no útero e outro fora, logo quase tive gêmeos, mas perdi na oitava semana.

VOCÊ TRABALHA DIARIAMENTE COM ADOLESCENTES. O QUE VOCÊ DIRIA PARA ELES EM RELAÇÃO AO FUTURO PROFISSIONAL E PESSOAL?
Dedicação e comprometimento. Eu acredito que quem se dedica e corre atrás dos seus sonhos com honestidade, humildade, chegará lá. Com certeza, irá demorar mais do que as pessoas que se aproveitam de outras, que tentam tirar vantagens, que burlam regras, mas será seu, sem dever a ninguém, poderá estufar o peito e erguer a cabeça sabendo que a conquista foi merecida.
Comprometimento sempre, não só para cumprir carga horária de trabalho e realizar suas tarefas, e sim assumir postura e atitudes favoráveis para o crescimento da empresa, estar verdadeiramente envolvido, sendo ativo e participativo, propondo possibilidades de melhoria e aumento de resultados.

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