Procurando Justiça, por Plínio Zíngano

Leia a coluna "Penso, Logo Insisto", assinada pelo professor Plínio Dias Zíngano.

Do “Meu cinicário” – Nessa luta para “salvar” a humanidade de todos os males, provavelmente você cause males bem maiores!

PROCURANDO JUSTIÇA

Nesta semana, na televisão, vimos o comovente desabafo gravado – e vazado – de um procurador da justiça de Minas Gerais, quase em lágrimas, reclamando do insuportável drama financeiro pessoal ao discutir seu salário líquido, estabilizado em, apenas, R$ 24.000,00 mensais. Segundo suas palavras, ele está tentando, corajosamente, se adequar à situação. Tomou a ousada decisão, entre outras medidas drásticas, de reduzir seus gastos com cartões de crédito de vinte mil para só oito mil reais por mês. Foi de cortar o coração! Logo apareceram iniciativas para angariar donativos com a finalidade de mitigar o desespero do infeliz servidor da Justiça, que se sente num beco sem saída. O brasileiro demonstra, assim, ao contrário das constantes tentativas de autodesmoralização, ser um povo solidário, principalmente, nos momentos mais pressurosos. Força, rapaz! O Brasil inteiro lhe dá força. A vitória é questão de tempo! Lembre-se do Eike Batista. Ele anda circulando por seu mundo profissional, o da Justiça. A vida dele também sofreu um revés, e esse foi gigantesco, mas, entre trancos, prisões e solturas, está indo em frente. Para sua tranquilidade, caro procurador, vamos supor – apenas, supor, porque a gente nunca vai saber da verdade – que os 32 bilhões de dólares iniciais do Eike estejam, agora, em somente 100 milhões de reais. Não é uma hecatombe?

Como? Você considera esse cara um abusado? Se tivesse 100 milhões de reais nunca reclamaria de mais nada e ainda distribuiria… epa! Vamos sem pressa, deixemos isto pra lá, não é verdade? Ninguém falou em distribuir. Segundo sua lógica, sendo bem honesto, o dono de 100 milhões jamais deveria reclamar da vida financeira.

Olhe aí, mais uma vez estamos de acordo! Entretanto, podemos afirmar: nós, seus compatriotas de origens menos apaniguadas (na sua reclamação, disse não ser de origem humilde), concluímos a seu respeito o mesmo pensado sobre o ex-marido da Luma de Oliveira, cuja agrura mensal está muitos zeros acima na escala de miserês: “ele que se lixe”! Pois a mesma coisa gostaríamos de dizer-lhe.

O desabafo vazado foi um escárnio com seus empregadores, o povo brasileiro, já que seu emprego é público. Por isso, dizemos: aproveite a companhia do ex-bilionário e vá junto. Lixe-se também, seu abusado!

Por Plínio Dias Zíngano
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