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Rio Paranhana causa alagamentos e provoca transtornos na região; assista a vídeos impressionantes da enchente

O expressivo volume de chuva das últimas horas na região está provocando o transbordamento de rios e problemas no Vale do Paranhana. Os principais problemas se deram em Igrejinha, Parobé, Rolante e Taquara, mas há registros de estragos, também, em Três Coroas e Riozinho. As corporações de Defesa Civil e dos bombeiros trabalharam durante a noite e toda a madrugada para atender as ocorrências e chamados.


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Os bombeiros de Igrejinha divulgaram um vídeo (assista abaixo) que mostra a inundação, por volta de 3h30min desta quarta-feira (8), da rua Theodoro Júlio Ritter, no bairro XV de Novembro. Segundo a corporação, ainda na madrugada, o pluviômetro marcou 124,6 milímetros de chuva em Igrejinha, um volume considerado alto.

Inundação em Igrejinha. Foto: Defesa Civil

Em entrevista à Rádio Taquara, a coordenadora de Defesa Civil de Igrejinha, Alessandra Azambuja, informou que pelo menos 40% do município sofreu alagamentos por conta da enxurrada do Rio Paranhana, que chegou ao nível de cinco metros de altura, quando o seu máximo para não transbordar é de quatro a 4,5 metros. Houve inundação nos bairros Morada Verde, Invernada, Casa de Pera, XV de Novembro, Vila Nova, Centro, Figueira, Garibaldi e Moinho.


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Alessandra informou que foram montados abrigos provisórios na Associação de Moradores do bairro Morada Verde, na escola Anita Garibaldi e no ginásio da Escola Luterana. Quanto ao número de famílias atingidas, a coordenadora ainda não tem os dados finais, pois este levantamento está em andamento, mas ela estima que “passou longe” das 50 famílias inicialmente contabilizadas. “O rio foi de uma violência brutal”, disse Alessandra à Rádio Taquara. Segundo ela, a equipe da Defesa Civil, em conjunto com todos os setores da Prefeitura, em especial as secretarias de Obras e Assistência Social, atenderam durante toda a madrugada as famílias igrejinhenses atingidas pela chuva. Por enquanto, o principal pedido de doações é por alimentos, roupas, cobertores e móveis, que podem ser entregues no ginásio da escola Luterana.

Em nota, a Prefeitura de Igrejinha informou que, apesar de ser bem acima da média, a chuva não deveria causar tantos danos, porém houve uma grande contribuição dos municípios da Serra onde os volumes foram muito expressivos. A administração afirma que o alerta de chuvas permanece até as 23 horas. A Prefeitura acrescentou que as equipes da Secretaria de Obras e dos Bombeiros Voluntários estão trabalhando desde cedo na limpeza da lama deixada pela inundação.

Limpeza das ruas em Igrejinha. Foto: Divulgação

Em Parobé, a Prefeitura divulgou um comunicado em que afirma que, por conta da chuva da noite desta terça-feira, moradores do bairro Paraíso tiveram que ser retirados de suas casas. Escolas do município foram preparadas para acomodá-las. Quem precisar de caminhão do município ou qualquer auxílio deve entrar em contato pelo telefone celular do gabinete do prefeito, número 9 9265.8679. Na manhã desta quarta-feira, os bombeiros da cidade, que trabalham no socorro das famílias atingidas pelos alagamentos, informaram que, além do bairro Paraíso, os bairros Mariana e XV de Junho também registram inundações em diversos pontos.

O prefeito Diego Picucha informou que, seguramente, mais de 100 famílias foram desabrigadas. Pessoas que queiram colaborar podem entregar doações na escola Noemy Fay dos Santos, ponto de arrecadação e atendimento às famílias desabrigadas. O prefeito comentou que o trabalho da administração municipal começou ainda na madrugada e seguirá durante todo o dia.

Ainda conforme Picucha, funcionários públicos e voluntários, além da Defesa Civil e bombeiros, trabalham desde a noite. Na madrugada, os socorros tiveram que ser interrompidos porque a água do rio chegou à rede elétrica das residências. O trabalho foi retomado logo que amanheceu, e os bairros mais atingidos são Paraíso, Mariana, Solar e XV de Junho. Muitas famílias saíram de casa só com a roupa do corpo, segundo o prefeito. No momento, as famílias são abrigadas nas salas das escolas Noemy e Idalino para evitar aglomerações e prevenir contágio pelo novo coronavírus.

Por volta de 14h30min desta quarta-feira, a Prefeitura de Parobé divulgou levantamento de famílias atingidas pela enxurrada. Segundo a Defesa Civil do município, foram 319 famílias, assim distribuídas: 122 no bairro Paraíso; 78 famílias no bairro 15 de Junho; 67 no bairro Mariana; 32 no bairro Funil; 20 no bairro Banco da Terra. Técnicos da Secretaria de Saúde estão acompanhando as famílias e seguem as campanhas para doações de roupas, calçados e alimentos.

Já o Corpo de Bombeiros Voluntários de Rolante informou, no mais recente boletim, divulgado às 7h40min desta quarta-feira, que o acesso à cidade está liberado, mas ainda possui água sobre a via. Os veículos estão conseguindo passar, pois o nível da lâmina de água está baixando. O acesso à localidade de Rolantinho está interditado ainda, mas o acesso a Riozinho foi liberado. Segundo os bombeiros, a água no bairro Grassmann já diminuiu o nível.

Divulgação / Carmem Fontoura

Em Taquara, foram divulgados por moradores que procuraram a Rádio Taquara e o Jornal Panorama o alagamento de várias ruas no acesso ao bairro Eldorado (foto acima), causando transtornos à comunidade. A Defesa Civil informou, no decorrer da manhã desta quarta-feira, que um dos pontos mais preocupantes da cidade se encontra no bairro Santa Maria, onde todas as ruas chegaram a ser bloqueadas e os bombeiros trabalharam para resgatar famílias de suas casas. Conforme a Defesa Civil, houve, ainda, registros de alagamentos em diversas regiões de Taquara, como no Balneário João Martins Nunes (Prainha), próximo à ERS-020, em localidades do interior do município, no bairro Empresa e no Loteamento Tito.

Alagamento no bairro Santa Maria em Taquara. Jéssica Ramos / Jornal Panorama

Ereni de Oliveira, moradora da rua Cincinato Cardoso, onde fica a escola Alípio Sperb, conta que sua casa foi alagada pela madrugada, mas ela já acompanhava o rio subindo. “O que pude levantar, levantei. O que não pude, levei para a casa de um filho”, contou. Segundo a moradora, sua família foi por conta própria para um prédio de uma borracharia. Ainda não receberam informações sobre abrigo por conta da prefeitura. A Assistência Social informou que segue monitorando a situação em Taquara, e ajudou ao menos uma família. A sede campestre do CTG O Fogão Gaúcho foi montada para receber famílias desabrigadas, mas ainda não teve procura no local.

Mário Borges, morador da rua Tristão Monteiro, no bairro Santa Maria, contou que o rio Paranhana subiu muito rápido, e que conseguiu salvar somente alguns cobertores e ferramentas. Proprietário de uma marcenaria que fica às margens do rio, Mário disse que agora vai esperar as águas baixarem para ver o que consegue salvar da residência e do seu local de trabalho. A ONG Vida Breve, no bairro Santa Maria, também ficou com o seu pátio completamente tomado pela água.

Na tarde desta quarta-feira, os Bombeiros informaram à reportagem do Jornal Panorama e Rádio Taquara que, em Taquara, cerca de 50 famílias foram resgatadas no bairro Santa Maria, e outras 20 na Prainha. Nas últimas 24h foram registrados 135 mm. de chuvas na cidade e o nível do rio chegou a ultrapassar oito metros acima do normal. Durante a tarde, esse volume diminuiu dois metros, segundo os bombeiros.

Em Riozinho, a Prefeitura informou, por meio de nota, que houve o registro de 94 milímetros de chuva nas últimas 24 horas. “As fortes chuvas causaram muitos estragos na cidade, especialmente nas estradas do interior. Em muitas vias, o acúmulo de água impediu o trânsito de veículos, como na Mascarada. Já na subida para o Palmito há um deslizamento de terra bloqueando quase toda pista – há risco, também, para a rede elétrica”, destacou a administração municipal.

Em Três Coroas, a assessoria de imprensa informou que as chuvas deixaram 82 pessoas desalojadas, que estão sendo abrigados no ginásio da Escola Balduíno Robinson. O principal problema do município foi o alagamento de diversas ruas e os bairros mais afetados são CTG, Sander, Vilão, Eucaliptos e Quilombo. Doações de roupas e cobertores estão sendo solicitadas, e devem ser entregues no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e na Escola Balduíno Robinson.

Confira vídeos impressionantes da enchente no Paranhana:

Vídeos: Leitores/Jornal Panorama