Scopel volta a reclamar de atrasos de repasses do Estado ao Hospital de Taquara

Entidade interventora protocolou pedido na ação civil pública que trata do Bom Jesus.

A Associação Silvio Scopel voltou a se manifestar, no processo judicial que trata do Hospital Bom Jesus, de Taquara, com relação a atrasos em repasses à casa de saúde. Em documento encaminhado à Justiça Federal, a entidade pede que o governo gaúcho receba ordem para repassar cerca de R$ 2 milhões em atraso. Nomeada administradora provisória, a Silvio Scopel ainda faz críticas à Prefeitura de Taquara, que bloqueou os repasses ao hospital alegando problemas na prestação de contas. O processo aguarda uma decisão do juiz Norton Benites a respeito das controvérsias verificadas desde a semana passada.


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


“Essa interventora vem destacar que o inadimplemento contínuo do contrato por parte do Estado do Rio Grande do Sul, somado à recusa ilegal do Município de Taquara em repassar o valor devido pelo mesmo, irá impedir a continuidade da execução dos serviços de saúde no Hospital Bom Jesus”, afirma a entidade. Conforme a Silvio Scopel, os pagamentos realizados pelo Estado são sempre aquém do pactuado e totalmente fora do cronograma ajustado. “A insegurança jurídica gerada pela contínua ineficácia do Município em realizar um certame licitatório legal e a falta de recursos resultantes de uma política que desrespeita prazos e ajustes torna praticamente impossível implementar uma dinâmica de gestão que produza bons resultados”, diz a entidade.


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


A entidade anexou tabela em que, segundo a entidade, fica demonstrado que serviços prestados em janeiro foram pagos somente meses depois. O mesmo ocorreu com meses subsequentes. A Scopel afirma que o governo do Estado deve cerca de R$ 2,4 milhões à entidade. “Tal situação gera uma série de cobranças e constrangimentos à gestora, aumentando a pressão em autoridades, médicos e fornecedores de modo que a situação somente se agrava. É latente o descontentamento por parte de médicos e demais empresas prestadoras de serviços que estão há dias sem receberem pelos seus serviços, ora pela ausência de pagamento, ora pelo pagamento parcial, ameaçando, inclusive, suspender serviços. Certo é que, como já dito inúmeras vezes, a Silvio Scopel é uma gestora que não atua com superávit. Por não ser empresa, não visa ao lucro e tenta equilibrar sua gestão conciliando o contas a pagar ao contas a receber”, afirmou.

Ainda em sua petição, a Scopel acrescenta que até mesmo uma ordem judicial proibindo desconto de valores pelo Estado, em 2018, está sendo descumprido, sendo que haveriaum saldo de R$ 292 mil devidos à entidade em virtude dessa retenção. “Ademais, quando da falta de repasse nos valore sde mais de R$ 4 milhões, os servidores do HBJ entraram em greve, a produção foi comprometida, o que resultou em uma glosa indevida de mais de R$ 493.591,11. Pois, como sabido, por ser o direito de greve assegurado constitucionalmente, nenhum desconto fora efetivado, e embora o recebível tenha sido menor, o custo foi o mesmo, sangrando ainda mais as finanças da gestora. Certo é que, apesar dos problemas enfrentados dia a dia para proteger a vida de centenas de cidadãos, fazer gestão de pessoas, manter o fornecimento de produtos e serviços, atender aos ditamos dos municípios da região e aos padrões legais, envolve-se a interventora com uma busca incessante por recursos para tentar honrar seus compromissos”, finaliza a entidade.