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Se é o teu sustento, é essencial, por Cassi Gottlieb

Se é o teu sustento, é essencial

Em época de pandemia e restrições, está muito presente a discussão sobre setores essenciais. O que é essencial e o que não é?
Claro que quando se fala em isolamento social e a necessidade de não existir aglomerações, a medida sempre pensada, é evitar focos onde ela possa existir. Em um mundo ideal em que na teoria todos são seres racionais, não seria necessária nenhuma proibição, já que as pessoas são adultas ou em caso de serem menores, possuem responsáveis por elas. Logo, teria que existir consciência dos atos e deveres. Se cada um fizesse a sua parte, quase nada precisaria ser proibido.
E o que é fazer a sua parte? Além dos protocolos que não sou eu que vou opinar, é assunto para os responsáveis pela saúde, que cuidam muito bem disso, evitar a aglomeração é o básico. Sair para o essencial, dar uma volta com a certeza de que não estará em áreas com excesso de gente. E caso perceber que começou a aglomerar pessoas, não ficar naquele espaço. Parece tão fácil, não é difícil.
Não é preciso truculência, autoritarismo, toque de recolher, retirar o direito de ir e vir. É ter bom senso, empatia com o próximo. Se preservando, fará os outros estarem seguros.
Porém, a empatia precisa vir em todas as frentes. Eu e mais uma multidão de pessoas que crescemos sem acesso aos lugares, constrangidas em pedir “favores” pela sensação de estarmos incomodando, ouvíamos que não nos eram oferecidas condições iguais, porque somos minoria em quantidade. O foco era o público “essencial”, que gera mais rentabilidade, que não se importa se precisa subir escada ou pegar um objeto no alto.
Quando eu ouço que determinado serviço não é essencial e nesse momento não deve estar aberto, me pergunto: “Por qual razão?”
Em que momento da humanidade, se deu o direito de falar pelo outro?
Todos os setores, funções, pessoas, são essenciais. Se determinado estabelecimento ou atividade é a responsável pelo sustento de quem lá está, é essencial sim.
Se eu que sou cadeirante, tenho o mesmo direito de quem não é, o que explica estar cheio de estabelecimentos em minha volta, sem rampa de acesso?
Mas tem a caixa de colocar os pés, afinal, ela é “essencial”.
Não estou jamais afirmando que ela não tenha que estar ali, protocolo de saúde se cumpre, mesmo que seja mais um obstáculo para um cadeirante, já que nesses casos os donos e funcionários ficam nervosos quando percebem a chegada de uma cadeira e necessitam arrumar uma forma dela entrar, afinal, não estão preparados para isso. Inclusive, como colocar a roda na caixa?
É assim que se rotula o que é essencial. Local sem acessibilidade? Beleza, a fiscalização vai só observar os cuidados preventivos ao covide. 
Não é a preocupação com a saúde, é a repercussão midiática que influencia na fiscalização do que é essencial e o que não é.
Mas pode ter certeza que qualquer atividade que se desempenha na vida, é essencial sim. E desse sustento, muitas outras pessoas se mantém vivas e bem.
Quanto ao circular, quem não tem nada para fazer na rua, colabore, não fique dando bandinha. Deixem os setores “essenciais e não essenciais” para quem realmente precisa. Dessa forma, o vírus que nos perturba, estará mais perto de ir embora. E você estará contribuindo para que a gente tenha todos os serviços funcionando.
Esse vírus já poderia ter sido controlado tem muito tempo, faltou disciplina para nós. Mas ainda pode ir embora rapidinho, basta todo mundo se cuidar.
Nessa vida se tem algo que não é essencial, é somente essa pandemia que virou o mundo mais ainda de pernas para o ar.
Grande abraço.

Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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