Temperatura agora:   24.4 °C   [+]

Segunda chance

Segunda Chance

Há dias que venho refletindo sobre as segundas chances que a vida nos proporciona. Algumas, por momentos, até me pareceram mais significativas do que outras. Hoje, não mais. Por experiência própria, e também pelo testemunho de pessoas que conheci, passei a considerar que as segundas chances – ou recomeços – podem, ou não, ser raras. Mas, independente disso, se tornam efetivas apenas quando nos damos conta da oportunidade que representam, e as abraçamos com propósito. Um novo propósito.

Pode soar engraçado, estranho, mas é possível pressentir que uma segunda chance está a caminho. Elas, geralmente, nascem num período de caos, ou pós- caos – quando a vida parece nos sacudir e testar em todos os sentidos possíveis. Um exemplo que me faz convicta disso são as pessoas que vencem quadros de câncer. E, basta reparar com um pouquinho mais de atenção, para perceber que a “segunda chance” delas nasce de um considerável detalhe em comum: a atitude de querer viver. Como descreveu, outro dia, uma amiga que se encaixa nesse perfil, “um ato de se apossar da vida”.

Mas as segundas chances, apesar de traiçoeiras (porque definham num piscar de olhos, quando desconsideradas), também são surpreendentes. Afinal de contas, a vida não se resume a teorias. Às vezes, elas se disfarçam de senhorinhas, e sentam na poltrona ao lado, durante o percurso de uma estação à outra no metrô – com experiências incríveis, mas gratuitas. Às vezes, tomam forma de um desafio profissional, que nos possibilita – ou não – um crescimento pessoal também. Às vezes, se materializam em um cartão, escrito a próprio punho, no verso de uma embalagem de biscoitos – com um pedido de reconciliação. Às vezes, no simples gesto de calar e não revidar uma afronta.

As segundas chances, às vezes, são aquelas economias em futilidades que se transformam em um investimento, em longo prazo. Às vezes, a possibilidade de buscar um novo emprego, em vez de apenas reclamar dos atuais patrões. Às vezes, uma segunda chance pode representar também renúncia, coragem e transformação. O ato de buscar se conhecer e, em vez de assumir os defeitos como característicos da própria personalidade, buscar ajuda para construir um ser melhor – constantemente.

Às vezes, a segunda chance é se dar conta de que acordar hoje é, em si, uma oportunidade de recomeço. E cabe somente a nós torná-la efetiva, ou bloqueá-la, sem garantia de que aconteça novamente.