Show, no palco da infância

Muitos sorrisos e requebrados marcaram o Festival de Cantigas de Roda, no CTG O Fogão Gaúcho.
Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Inocência, diversão, integração e inclusão chegam perto de descrever o que se viu no salão do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) O Fogão Gaúcho, na tarde desta quarta-feira (10). A sociedade realizou, em parceria com a Administração Municipal, o XIII Festival de Cantigas de Roda e reuniu alunos de quatro escolas locais, numa tarde de disputa amistosa, regada a sorrisos.


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As estrelas do evento soltaram as pequenas cinturas, no ritmo de canções de roda tradicionais, e incentivaram uns aos outros, ora de mãos dadas, ora com aplausos. Uns mais tímidos, outros cheios de atitude, todos com os olhos brilhantes, atentos, e sorrisos espontâneos, cativaram público e juradas.


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Edmei da Costa Fisher, professora aposentada, avaliadora e uma das idealizadoras do Festival, destacou a importância do evento. Disse que é por meio da programação que o CTG “planta uma sementinha”, e contribui com o desenvolvimento infantil. “As atividades lúdicas trabalham o ritmo, a percepção, criatividade, desenvoltura. Daqui, desse tipo de brincadeira, vão nascer muitos líderes”, disse Edmei.

Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Marlene Terezinha de Oliveira, também professora aposentada, avaliadora e idealizadora do Festival, disse que é sempre um prazer poder retornar ao júri e, principalmente, ver o objetivo do evento sendo alcançado. “Criança feliz, saudável, brinca. Só não brinca se não aprender a brincar, e essa é uma de nossas funções, como professoras, como CTG, resgatar as brincadeiras que eram passadas de geração em geração”, disse Terezinha.

A avaliadora também disse que percebe uma mudança na infância, com o aumento do uso de eletrônicos, e a falta de interação com os amigos e a própria família. Afirmou que as brincadeiras, cantigas de roda, resgatam histórias e promovem o desenvolvimento diferenciado das crianças. “Além da diversão, que é visível, as crianças desenvolvem a coordenação, o equilíbrio, a memória, aprendem a respeitar limites. É uma porção de benefícios”, descreveu ela.

A jornalista, Claucia Ferreira, que avaliou as apresentações pela primeira vez, disse que foi uma satisfação muito grande receber o convite. Lembrou que foi Prenda Regional, na categoria Juvenil, em 1993, e que considera muito gratificante poder retornar ao Fogão Gaúcho, “acompanhar um trabalho tão importante. As cantigas, as brincadeiras, ajudam na educação, no aprendizado, então incentivar isso na escola, dentro de uma entidade que preserva a cultura, as tradições, contribui com a formação da criança de uma forma especial”, disse.

Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

O patrão do CTG, Auro Sander, disse que é um orgulho muito grande trabalhar com as crianças, “estamos investindo no futuro da cidade, do país e do mundo, iniciando eles na cultura, na tradição, no folclore. Incentivamos que entrem no caminho bom da sociedade, da boa convivência, dos valores. Pra nós, do Fogão Gaúcho, é uma satisfação e só temos a agradecer ao Poder Público pela parceria, à imprensa que divulga e prestigia o envolvimento dos alunos, das professoras. Juntos, transformamos crianças em cidadãos”, disse.

Participando do evento pela primeira vez, com os alunos da Escola Especial Professora Cassandra Fritscher (Apae), a diretora, Silvia Gelinger, disse que foi um movimento muito bom. “Poder trazer para as crianças a oportunidade brincar, dançar, despertar o imaginário. É muito saudável, principalmente porque nossas crianças andam tão distantes das brincadeiras, em função dos eletrônicos. Então o festival é isso, um momento de resgatar nossas raízes, criar vínculos de amizade e se divertir”, disse ela.

Silvia comentou que a rotina escolar não inclui brincadeiras de roda, que insere outras atividades, de acordo com o projeto de cada professor. Mas, este ano a escola se voltou às cantigas, resgatando as brincadeiras para poder se preparar para o Festival. “Percebemos que eles se sentem muito felizes. Isso, pra nós, paga todo o trabalho. Ver a alegria que transparece nos rostos quando estão brincando, é muito bonito”, disse.

O capataz cultural do Fogão, Júlio Bartzen de Araújo, explicou que uma das missões do CTG é auxiliar o Estado na resolução dos problemas e no bem estar coletivo, “e a gente entende que é indispensável trabalhar com o público escolar. Plantamos a sementinha do respeito, da coletividade, amizade. Nada melhor do que incentivar tudo isso por meio das cantigas de roda, onde todos brincam de mãos dadas, onde não há alguém superior, mais importante. Estão todos lado a lado, e são iguais, construindo um espetáculo e brincando”, explicou ele.

Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

O secretário de Educação, Cultura e Esportes local, Edmar Teixeira de Holanda, disse que a participação no Festival se torna uma extensão da sala de aula. “Você percebe a satisfação no rostinho dos alunos, vê que estão à vontade para absorver novas experiências, fazer novas amizades. Os próprios professores trocam ideias com colegas de outras escolas. Eu defendo muito esse tipo de atividade. Acredito que a brincadeira, o lúdico, são formas muito produtivas de ensinar. E criança não brinca se não aprender”, disse ele.

Holanda explicou que, nesta edição, as escolas municipais não conseguiram se mobilizar como gostariam. Que o ano e as atividades acabaram impossibilitando alguns professores. Mas que vai procurar incentivar a participação sempre. “É um evento muito importante, não podemos deixar morrer”, afirmou.

Jaqueline Heidrich foi prestigiar a filha, Rafaela (4 anos), que se apresentou com os colegas. Disse que foi uma alegria acompanhar a filha, que já adora cantar e dançar em casa, durante os “ensaios” para o Festival. A mãe disse que o evento rendeu boas experiências para toda a família.

“É a primeira vez que a Rafaela vem ao CTG, e por motivo tão agradável. Fico muito feliz. As professoras e os organizadores estão de parabéns! Uma pena que essas brincadeiras não sejam mais habituais. Lembro que nós brincávamos muito mais, encontrávamos os amigos na rua. Era muito bom. Hoje, mesmo que seja para cantar, dançar, as crianças sempre têm um eletrônico junto”, disse.

Confira o resultado do Festival:

EDUCAÇÃO INFANTIL

1° Lugar – EMEF Rosa Elsa Mertins
2° Lugar – EMEI Professora Vera Marks Iribarry
3° Lugar – EMEF Arlindo Martini

ENSINO FUNDAMENTAL I

1° Lugar – EMEF Arlindo Martini
2° Lugar – Escola Especial Professora Cassandra Fritscher (APAE)