Silêncio!


Um abaixo-assinado circula nas redes sociais pedindo que a Prefeitura de Taquara aplique lei contra..


Um abaixo-assinado circula nas redes sociais pedindo que a Prefeitura de Taquara aplique lei contra o barulho excessivo, ruídos, música alta, carros de som e perturbações relacionadas, principalmente, aos abusos cometidos por algumas pessoas que não sabem dos limites, e muito menos dos seus deveres, e que têm gerado uma série de problemas por falta de informação ou de educação.

O excesso de barulho não se refere apenas às buzinas dos carros, berros de crianças e adultos ou propagandas em carros e motos com alto-falantes (já vi gente circulando até de bicicleta com um som amarrado ao bagageiro). Isso é uma infração óbvia e passível de multa ou punição. Me refiro a outro tipo de excesso que tem se tornado cada vez mais frequente, especialmente em condomínios, nas ruas, nos apartamentos, no trabalho, etc.

São ruídos que já denunciei aqui por várias vezes, em crônicas que falam sobre direitos e deveres, lei do silêncio, respeito, vida em sociedade, enfim, do descaso de quem deveria estar morando em caverna, bem longe da civilização.

E é para bem longe desta cidade que muitos têm se transferido, definitivamente, também, em busca de um pouco mais de silêncio, de harmonia e equilíbrio físico e mental, o que é quase impossível para quem reside no centro de Taquara, ultimamente.

A cada dia, somos agredidos e afetados por ruídos e por situações surreais, como a do morador que berra com os filhos e arrasta móveis dia e noite no andar de cima; por aquela outra que resolve fazer step nas escadas do prédio, enquanto o elevador sobe e desce sozinho, gastando luz do condomínio; do caminhão que recolhe o lixo e já, às cinco da manhã (sim, continua o mesmo horário) entra de ré na rua, disparando alarme, gritaria e assobios por onde passa; dos trabalhadores com roçadeira, cortando mato no cordão das calçadas às seis da manhã; e até daquela pessoa desconhecida que matraqueia ao celular cedinho, na calçada, aos berros, enquanto você ainda nem abriu os olhos direito.

São alguns exemplos que precisam ser citados para que haja conscientização e, com muita boa vontade e centenas de reclamações, talvez uma punição (palavrinhas e atitudes bem difíceis de serem entendidas neste país).

Ruído e dispersão, a qualquer hora do dia, todos os dias da semana (e da noite), também é receber dezenas de telefonemas, torpedos, mensagens e ligações no celular e no próprio trabalho, além de cartas pelo correio (sim, isso ainda existe), de financiadoras e bancos lhe oferecendo crédito consignado porque “descobriram”, num passe de “mágica”, que você se aposentou recentemente. Durma-se com um barulho desses!

Enfim, barulho é tudo o que incomoda e passa dos limites, mesmo que sem ruído aparente. E devemos saber da sorte que nos acompanha ao termos nascido com todos os sentidos perfeitos, como o da audição, por exemplo, embora não sejamos obrigados a ouvir, ver, inalar ou engolir o que nos faz mal.
Talvez essa seja a melhor mensagem que eu possa deixar neste período, ao escrever a última crônica de 2017, desejando um ano novo com menos fogos de artifício e mais luz; menos barulho e mais música; menos gritaria e mais diálogo; menos desrespeito e mais compaixão; menos ruído e mais silêncio.

Ouviu?

Boas Festas a todos! Ano que vem tem mais!

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