“Situação insustentável”: serventes das escolas de Parobé denunciam atraso de salários e cobram direitos

Profissionais protestaram, na manhã desta segunda-feira (11), na praça Primeiro de Maio.

Atraso de salários, ameaças pessoais, extravio de documentos e uma série de outros prejuízos são denunciados pelas serventes das escolas de Parobé, que se mobilizaram, na manhã desta segunda-feira (11), para tornar pública a situação delas e reivindicar os direitos trabalhistas. A manifestação aconteceu na Rua Coberta da Praça Primeiro de Maio e, além das profissionais, reuniu vereadores que descrevam o quadro como criminoso. As funcionárias são contratadas pelas empresas Fam Locações e Prestação de Serviços Ltda e Yc Serviços Ltda. A reportagem do Jornal Panorama esteve no local e conversou com algumas serventes. A maioria afirmou que está sem salário desde agosto deste ano e, algumas não têm recursos sequer para se alimentar ou comprar remédios.


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Essa é a realidade de uma das mulheres, que preferiu não se identificar, segundo ela porque já recebeu ameaças por parte dos proprietários da empresa que ela está vinculada. A servente disse que, devido à situação, teve que procurar tratamento psiquiátrico, mas depende da filha dela para comprar os remédios prescritos pelo médico. Além disso, ela está prestes a ser despejada de casa, uma vez que não tem conseguido cumprir com o pagamento do aluguel. Em lágrimas, ela disse que não gostaria de se expor, mas só está cobrando o pagamento do trabalho que ela já prestou. Outra servente, Marivone Bueno, afirmou que o caso é muito sério. Disse que, além do atraso dos salários, a empresa tem extraviado documentos das profissionais. “Minha carteira, meu contrato de trabalho, documentos e informações pessoais estavam no escritório da empresa e simplesmente desapareceram. É normal isso?”, questionou a servente.


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O vereador Dari da Silva (Pros) acompanhou a manifestação e demonstrou apoio às serventes. Disse a situação é insustentável e que, por conta da instabilidade política do município, as profissionais não sabem nem a quem recorrer. “As serventes já levaram o caso ao prefeito, mais de uma vez, e nada foi feito a respeito”, destacou ele. Silva ainda afirmou que o problema é muito mais grave do que parece, pois “enquanto essas mulheres não recebem salário, e estão se manifestando de forma justa, lá nas escolas está faltando limpeza, merenda. Então o descaso acaba atingindo toda a comunidade escolar, não apenas as famílias das trabalhadoras que estão desassistidas”, descreveu Dari.

Outra vereadora que manifestou apoio às serventes do município foi Maristela Rossato (PT). Disse que há muito tempo ela e outros colegas do legislativo têm denunciado, segundo ela, a falta de respeito que ocorre na cidade com relação às licitações. “Só a empresa Fam tem 17 contratos aqui na Prefeitura de Parobé, nesta gestão. São 17 licitações não cumpridas, pois a empresa não honra com seus deveres e segue recebendo. E nós vamos ficar de braços cruzados? Não são as serventes que sofrem. São elas, as famílias delas, e cerca de nove mil alunos, que têm o atendimento nas escolas comprometido com esta situação”, alertou Maristela.

Conforme informaram as profissionais e os vereadores, além da manifestação realizada na Rua Coberta, o grupo também faria um apelo na Secretaria de Educação parobeense e encaminharia o caso ao Ministério Público. A reportagem do Jornal Panorama tentou, por duas vezes, contato com o prefeito Irton Feller, para esclarecer o caso, mas foi informada por servidores da Prefeitura que ele estava em reunião e não poderia atender.