ECONOMIA

Supermercados gaúchos projetam crescimento de 3,6% nas vendas de Natal e Ano-Novo

Estudo avaliou expectativas de consumidores e supermercadistas para as festas.

Com o cenário eleitoral definido e a expectativa de que R$ 13,7 bilhões sejam injetados na economia do RS a partir do pagamento do 13º salário, os supermercados gaúchos já iniciaram a preparação de suas lojas para a chegada daquele que tradicionalmente é o melhor período de vendas do ano, as festas de Natal e Ano-Novo. Para entender as expectativas de vendas dos supermercadistas e a intenção de compras dos gaúchos para as festividades, a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) encomendou estudo ao Instituto Segmento Pesquisas, que ouviu 20 empresários do setor e 200 consumidores de ambos os sexos, e de diferentes classes sociais e faixas etárias em todo o RS.


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Os resultados do levantamento, divulgado nesta terça-feira (6) pelo presidente da Agas, Antônio Cesa Longo, mostram que 92,3% dos consumidores gaúchos pretendem realizar compras em supermercados para as festas de fim de ano, o que impulsiona uma projeção otimista de crescimento de 3,6% nas vendas do setor, na comparação com o Natal e Ano-Novo de 2017. Segundo Longo, os caixas dos supermercados deverão absorver cerca de 20% (ou R$ 2,7 bilhões) do 13º dos gaúchos, sobretudo em compras de itens típicos para as festas, como aves natalinas, bombons, espumantes, lentilha, bebidas e presentes.

Os números da pesquisa indicam uma pequena retomada do setor supermercadista nas vendas e apontam, ainda, que os preços de produtos típicos de Natal e Ano-Novo estarão em média 0,9% superiores aos praticados nas festas do ano passado. “Percebemos um clima crescente de compartilhamento entre familiares e amigos, que buscam cada vez mais reuniões e confraternizações em grupos nas ceias de Natal e Réveillon, dividindo custos e garantindo uma grande festa”, detalha Longo. Segundo os números do Instituto Segmento, cada gaúcho vai presentear em média 6 pessoas do seu convívio, oportunizando ao varejo a comercialização de produtos mais acessíveis. “Quanto maior é o número de pessoas presenteadas, mais cresce a procura por presentes mais baratos. Neste cenário, os supermercados ganham a preferência, por oportunizarem conveniência, facilidade de pagamento e opções de presentes com menor preço”, sublinha o presidente da Agas. De acordo com a pesquisa, 90% dos supermercadistas ouvidos pelo Instituto Segmento vão fazer algum tipo de promoção no período de festas.


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Calendário é favorável para o varejo – O setor supermercadista gaúcho terá o calendário a seu favor para alavancar as vendas em dezembro de 2018: além de contar com cinco sábados e cinco domingos, ampliando o número de finais de semana para que os consumidores façam suas compras para as festas, a ocorrência da véspera de Natal (dia 24/12) em uma segunda-feira vai garantir três dias de grande movimento nos supermercados. “Os consumidores terão sábado, domingo e segunda para garantirem suas compras, ampliando em um dia o leque de compras de última hora. Isso ocasionará um número maior de visitas ao ponto de venda e, consequentemente, melhores vendas para o setor”, antecipa Longo.

O estudo do Instituto Segmento mostra ainda que as famílias gaúchas vão gastar, em média, R$ 330,59 em alimentos para as festas. Os campeões de preferência nas datas festivas seguem, para os gaúchos, os mesmos: na ceia natalina, o produto apontado pelos gaúchos como aquele que não pode faltar é o peru/chester, enquanto no Réveillon é a lentilha:

O que não pode faltar no Natal Total (%)   O que não pode faltar no Ano-Novo Total (%)
Peru/Chester/Pernil 13,8   Lentilha 25,5
Presentes 9,8   Churrasco 13,4
Panetone 6,8   Espumante 11,5
Ceia 6,0   Carne Suína 9,6
Churrasco 6,0   Bebidas alcoólicas 8,3
Frutas 5,3   Frutas 3,2

Vendas de “não alimentos” vão movimentar as lojas – Categorizados pelos supermercados como “não alimentos”, produtos como brinquedos, eletrodomésticos e itens de bazar estão entre aqueles que são apontados como mais promissores, em vendas, pelos supermercadistas. O presidente da Agas destaca, ainda, que itens buscados pelos clientes para facilitar a confraternização em grupos também terão relevância. “O setor aumentou os estoques de cadeiras de praia, barracas, coolers e outros itens de convivência”, relata. Chamam a atenção as projeções de boas vendas também em cervejas (+4,8%) e de carnes bovinas (+4,7%).

Com relação aos preços, três categorias de produtos terão baixas de valores na comparação com o ano passado: produtos alimentícios em geral, peixes e bebidas destiladas. Confira o quadro geral:

 

Produto Variação de preço (%) Expectativa crescimento de vendas (%)
Brinquedos 7,5 7,7
Produtos Alimentícios -0,3 1,4
Panetones 1,6 3,7
Bombons 1,4 3,6
Peixes/ Bacalhau -0,2 0,2
Perus/ Chesters/ Pernis 2,0 3,0
Carnes Bovinas 1,0 4,7
Carnes Suínas 1,7 3,3
Refrigerantes 1,4 5,2
Cerveja 1,4 4,8
Vinhos Nacionais 0,0 0,2
Vinhos Importados 0,1 0,3
Bebidas Destiladas -0,4 0,2
Espumantes/ Champanhas 0,9 3,0
Especiarias 0,5 4,0
Roupas 0,0 0,0
Presentes para a Família 0,5 0,3
Artigos de Bazar 0,3 -0,3
Enfeites para Decoração de Natal 0,0 0,0
Eletrodomésticos 0,0 15,0
Eletroeletrônicos 0,0 15,0
MÉDIA DAS FESTAS 0,9% 3,6%

 

O que os supermercados esperam dos produtos tradicionais:

 

Espumantes – Indispensável nas comemorações do Ano-Novo, a bebida terá crescimento de 3,6% nas vendas, com a comercialização de 5 milhões de garrafas – 95% delas produzidas na Serra Gaúcha. “As champanhas mais doces, de variação moscatel, têm tendência de alta pela maior procura das mulheres”, observa Longo.

Panetones – Com um crescimento de 1,6% esperado nas vendas, cerca de 4 milhões de unidades de panetones serão vendidas pelos supermercados gaúchos neste fim de ano, o que deve representar 12% da produção nacional do produto. A comercialização de panetones industrializados novamente será bem maior que a de produtos artesanais, em função dos altos custos de produção com mão de obra e energia. A estratégia dos varejistas é, segundo ele, antecipar a exposição deste produto. “Teremos panetones nas lojas antes das aves e dos enfeites, por exemplo”, analisa Longo.

Aves natalinas – A crescente concorrência neste segmento mais uma vez beneficiará os consumidores na compra de aves, que terão diversas opções de marcas, temperos e preços. Na avaliação de Longo, os gaúchos deverão novamente privilegiar os “frangões” e aves mais acessíveis e de preparo rápido. Ao todo, 880 mil aves (2,5 mil toneladas) serão comercializadas pelo setor – com um crescimento de 3,0% nas vendas.

Produto Quantidade vendida Faturamento para o setor
Aves natalinas (Peru, Chester, Tender, Frangão) 880 mil aves R$ 37 milhões
Panetones 4 milhões de unidades R$ 60 milhões
Espumantes e Champanhas 5 milhões de garrafas R$ 75 milhões

Bombons são opção de presente – A estimativa da Agas é de que o setor comercialize cerca de 6 milhões de caixas de bombons nos próximos dois meses, com um crescimento de 3,6% nas vendas em relação ao fim de ano de 2017. Segundo o estudo da Segmento Pesquisas, os gaúchos querem presentear, em média, 6 pessoas do seu convívio neste Natal. “Neste cenário, ganham força as caixas de bombons, presentes menores e mais baratos”, aponta Longo.

Supermercados são lembrados para busca de presentes – Mais uma vez, os supermercados são bem ranqueados como local preferido na busca de presentes. Os shoppings seguem na liderança, com 39,5% (ante 48,5% em 2017); as lojas de departamentos têm 28,5% da preferência (em 2017, tinham 19%); e os supermercados são a escolha de 16,5% dos consumidores gaúchos (no ano passado eram 18,5%). Ainda são lembradas lojas de roupas (22%), lojas de brinquedo (11%) e camelôs (3,5%).

 

O perfil dos presentes adquiridos – O Instituto Segmento questionou os consumidores sobre quais presentes eles deverão adquirir neste Natal. Divididos pela faixa etária dos presenteados, os produtos que mais se destacaram foram:

 

Presentes para crianças de até 5 anos

Brinquedos                                            54,2%

Roupas                                                 32,7%

Calçados                                               4,7%

 

Presentes para crianças entre 6 e 12 anos

Roupas                                                 40,5%

Brinquedos                                            36,9%

Eletroeletrônicos                                   6,3%

 

Presentes para pessoas acima de 12 anos

Roupas                                                 53%

Artigos de beleza/ perfumes                 30%

Eletroeletrônicos                                   7,5%

Panetone é o presente mais comprado no setor – De acordo com os consumidores ouvidos, os presentes mais adquiridos em supermercados serão o panetone (24,1%); bebidas (16,7%); bonecas (13%); brinquedos em geral (11,1%); roupas (9,3%); espumantes (7,4%); e bombons (7,4%). “As caixas de bombons são os itens mais vendido nos supermercados na véspera de Natal, dia 24 de dezembro. Somente neste dia, serão comercializadas mais de 2 milhões de caixas em todo o Estado”, aposta Longo.

Endividamento força compras a prazo – Ao contrário do ano passado, quando a maioria dos consumidores optaram por realizar as compras à vista, em 2018 as festas vão ter gaúchos comprando majoritariamente a prazo os itens de alimentação e presentes. “É um sinal inequívoco do endividamento das famílias que, ainda assim, não deixarão de comemorar o Natal e o Ano-Novo com entes queridos”, destaca Longo.

 

Como pretende pagar 2016  

2017

 

2018

À vista 55,4% 55,5% 41,2%
A prazo 44,6% 44,5% 58,8%

Compras de última hora vão aumentar – Atentos às promoções, oportunidades e preços, os gaúchos projetam uma postergação maior para suas compras neste fim de ano. Dos consumidores entrevistados, 55,5% apontaram que farão suas compras nos últimos três dias que antecedem as festas. O número é ligeiramente superior ao do ano passado (51%).

 

Representatividade das festas – A pesquisa do Instituto Segmento mostra que, neste ano, os produtos típicos de Natal e Ano-Novo vão representar em média 15,2% das vendas do setor em dezembro.

Importados em alta – 15% dos varejistas ouvidos afirmaram que aumentarão o mix de importados neste ano. O setor estima que, em média, 2,9% das vendas de Natal e Réveillon sejam de produtos oriundos de outros países.

Vagas temporárias – O Instituto Segmento apurou que 30% dos supermercadistas ouvidos farão contratações de temporários para o período de fim de ano – e 66% deles vão aumentar o número de colaboradores contratados. Ao todo, serão criadas 3,2 mil vagas de trabalho temporário no setor para o período de Natal, Ano-Novo e veraneio. “Cerca de 15% destes temporários deverão ser efetivados”, sugere o presidente da Agas, lembrando que o segmento já emprega atualmente mais de 97 mil pessoas somente no Rio Grande do Sul.

Principais dificuldades do setor – Perguntados sobre as maiores dificuldades para que o setor supermercadista cresça, os empresários do ramo de autosserviço apontaram a carga tributária/ impostos altos (40%) como o principal entrave do setor. Manter os preços abaixo da concorrência (15%) é o segundo problema mais apontado pelos supermercadistas, seguido pelo crescimento dos atacados (10%).

 

Projeções – 85% dos supermercadistas entrevistados admitiram que percebem mudanças significativas nos consumidores em 2018 e, para grande parte deles (35,3%), a principal alteração é a busca cada vez maior por preços mais baixos. Quando os supermercadistas são indagados sobre o que é decisivo para o consumidor na gôndola, 55% afirmam que é o preço e 25% qualidade.

Com relação aos investimentos, um em cada quatro empresários do setor (25%) pretende inaugurar ou reformar lojas em 2019.