Ter um sonho e não saber como realizar, por Cassi Gottlieb

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Leia a coluna de Cassiano Gottlieb sobre a acessibilidade no site do Jornal Panorama.

Quando um ano começa, é como se tudo tivesse início novamente, as pessoas planejam, sonham, começam ou recomeçam metas, aproveitam a virada para criarem uma motivação que as guiem para seus objetivos. Isso é extremamente saudável e confortante. Se algo deu certo, a busca é repetir ou melhorar. Se não foi como o esperado, nunca é tarde para tentar de novo. O que você espera do teu 2020? Qual o teu grande sonho para esse ano?

Desde criança, nunca sonhei mais do que estivesse palpável ao meu alcance. Penso que a vida é uma construção, tijolo por tijolo, as vezes pulamos algumas etapas, mas se não voltarmos ao alicerce, tudo pode ter sido em vão.

Nunca soube que eu não andaria sem a ajuda de uma cadeira de rodas. E ainda não sei.

A medicina não encontrou respostas para isso. Talvez eu ainda não tenha conseguido chegar até as fontes certas.

Então eu jamais tive como meta “esse ano eu vou caminhar”. Simplesmente não sei como fazer isso. Claro, posso fazer fisioterapias, musculação, tudo isso faz bem ao corpo, me mantém saudável, mas o caminho até dar passos é muito mais profundo. E não tenho as respostas para ele.

Mas também nunca desanimei. Pois assim como eu não tenho garantias de caminhar, ninguém nunca disse que eu não posso andar. Única certezaé que a cada ano fica mais difícil. O que não quer dizer nada, na vida basta 0,1 porcento para ser possível.

Se não caminhar me faz falta? Sim, não vou mentir. Faz muita.

Não há um dia que eu não pense nisso. Ser cadeirante não é um problema, mas não é uma escolha.

Eu daria todo o dinheiro do mundo, viveria sem conforto algum, para ter pelo menos por 24 horas a chance de caminhar. Quem sabe a medicina ainda dê as respostas que eu preciso.

Digo isso por saber que vocês estabelecem seus planos em cada início de ano. E eventualmente se frustram por jamais conseguirem determinados sonhos. Mas é preciso entender que existe um processo.

Você deve pensar o que é necessário para atingir tal objetivo. E partir inicialmente em busca dessas coisas. Talvez você não saiba como. Eu também ainda não descobri como sair da cadeira de rodas. Mas tempo sempre vai existir.

Sempre.

Não desista. E foque no que é essencial.

Abração.

Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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