OPINIÃO

Tudo por Acessibilidade, por Cassi Gotlieb

Leia a coluna de Cassiano Gottlieb sobre a acessibilidade.

Estou aqui para falar de acessibilidade. Mas afinal, o que é isso? O dicionário a estabelece em uma frase. Eu a defino em uma vida. Juntas, essas definições ainda não se completam. Talvez por ser mais, muito mais que uma vida. Acessibilidade são várias vidas, é uma construção. A construção de um mundo mais igual, mais justo, de direitos e deveres divididos igualmente, sem benefícios ou prejuízos, para quem quer que seja.

A maior dádiva da vida é ver o nascimento de uma criança. É a sequência de uma família, o prosseguimento da humanidade. Quando um pai, uma mãe ou um familiar olha pela primeira vez o rosto de um bebê, é como se eles estivessem nascendo novamente. No amor não existe barreiras. Pouco importa o choro, as fraldas sujas, as noites sem sono, as responsabilidades que virão pela frente. A recompensa é aquele novo rosto, trazido e abençoado por papai do céu.

E quando se descobre que além de todos os cuidados já previamente conhecidos, que são necessários a um bebê, é constatado que ele vai requerer uma atenção maior por parte de quem o cuida? Cuidados especiais, necessidades especiais. Veja bem, eu disse especiais. Respeito quem denomina ser especial como ser deficiente, não utiliza por maldade, mas me soa de forma agressiva ouvir essa palavra, não quem a fala.

Não que a palavra esteja errada. Ser deficiente em algo, é ter dificuldade em alguma atividade ou movimento, mas todos têm dificuldades em várias coisas. Ninguém é completo em tudo. Ou é?

Mas especial todos são. Eu, você e quem mais nesse mundo vive. Precisando ou não de mais cuidados.

Como eu ia dizendo, atenção privilegiada, necessidades especiais, gera um carinho mais do que essencial. Uma necessidade de proteger, de zelar, de fazer com que eventuais diferenças, desapareçam. E assim o bebê cresce, o jovem se forma. Se adapta as suas dificuldades, busca as melhorar, potencializando as qualidades que tem. Tornando elas tão evidentes, que a dificuldade desaparece.

Mas aí você pode pensar:

  • UÉ, MAS NÃO É ASSIM COM TODOS?

É sim.

  • Então porque são tratados como diferentes?

Boa pergunta. Eu diria e digo sempre, que a diferença está apenas nos olhos de quem a procura.

E falando isso, mais questionamentos vem a minha cabeça, será que eu estou perto de definir o que é acessibilidade?

Por Cassiano Gottlieb
Publicitário, de Taquara