“Uma noite perfeita”: no Sexta Tem Arte

Chico Paz fala sobre a experiência de tocar “em casa” e lotar auditório, num espetáculo marcado por emoção.
Chico Paz, comandando o espetáculo musical no Centro Educacional Índio Brasileiro Cesar. Foto: Alan Júnior/ Jornal Panorama.

Uma noite para ser lembrada pela emoção, interação e reconhecimento. A apresentação de Chico Paz, no Sexta Tem Arte da semana passada (28), lotou o auditório do evento e proporcionou experiências marcantes, tanto para os músicos, quanto para o público. O taquarense integrou o time de artistas que interpretaram músicas autorais, e fez do palco do projeto um espaço compartilhado, convidando outros artistas para cantar e tocar junto com ele e a banda.


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Ao Panorama, Chico descreveu a experiência como “uma noite perfeita”. “Foi mágico. Fiquei muito feliz, uma troca de energia sem explicação”, disse. O artista falou que se sente reconhecido e acolhido na cidade, principalmente por desenvolver um trabalho totalmente autoral, e perceber que as pessoas o apoiam e admiram. “Eu atuo em outros grupos, mas a essência do meu trabalho é autoral. Eu me sinto muito mais compositor do que cantor. Dedico muito mais tempo à composição do que à execução ou técnica de um instrumento. Então, sinto reconhecido”, explicou.


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Chico disse que, embora não seja conhecido nacionalmente, nas mídias digitais alcança pessoas em todo o mundo. Mas, é no Rio Grande do Sul que ele concentra o maior volume de shows. “É tudo um processo, e é muito bom. Quando eu tenho a oportunidade de me apresentar com um show completo, é uma alegria total. Fico muito feliz quando encontro pessoas, que eu conheço só de vista, no meu show. Saber que curtem o meu trabalho é muito gratificante”, disse.

Sobre o Sexta Tem Arte, Chico destacou o foco na inclusão social. Disse que é um dos pontos fortes do projeto, pois oferece oportunidades únicas para ambos os envolvidos. “Para os artistas, é uma forma de alcançar um público novo, que muitas vezes não é o alvo, mas que conhece o trabalho e acaba se envolvendo. Para o público, é uma porta de acesso a espetáculos diferenciados, não apenas a produção que é veiculada em massa”, explicou ele, lembrando que muitos não têm o hábito de frequentar a shows, teatros, até mesmo pela situação financeira. “Uma iniciativa muito legal. Exemplo de inclusão e acessibilidade”, destacou.

O compositor também disse que se sentiu honrado em ser convidado para se apresentar na programação. Explicou que cada módulo (teatro, dança, música intérprete, música autoral) contou um artista ou grupo convidado, e, no caso dele, o convite foi um presente. “Fiquei louco de faceiro”, descreveu, dizendo considerar um reconhecimento ao seu trabalho.

Sobre 2019, o artista disse que está sendo um ano de muitas novidades. “Encerro os shows de “Caminho”, meu trabalho mais recente, (com esse cenário, luzes, repertório), e inicio uma programação comemorativa aos 10 anos de “Figurinhas”, meu primeiro disco. Paralelo a isso, ainda estou gravando clipes novos e trabalhando na pré-produção de um disco novo. Muita coisa boa acontecendo, parcerias novas nascendo. Está muito bacana o ano”, disse ele. Sobre o novo projeto, Chico disse que ainda está em fase de produção, “muito trabalho”, mas que deve fazer o pré-lançamento no primeiro semestre do ano que vem. Enquanto isso, ele também cumpre algumas agendas na região, com alguns bate-papos e apresentações.

O Retrato Oval

Atores principais do filme são amigos da diretora. Foto: Divulgação.

Quem assistiu ao show de Chico também teve a oportunidade de conferir outra produção autoral, mas audiovisual. Ao término da programação, foi exibido o filme, inédito, “O Retrato Oval”. O curta, dirigido pela fisioterapeuta taquarense, Juliana Schneider, foi encenado por atores taquarenses e batizado com o mesmo nome de umas das canções de sua trilha sonora, escrita por Chico Paz, O Retrato Oval.

Segundo a diretora, foram três anos de gravação e edição. “Escrevi o roteiro em 2011, com o objetivo de reunir talentos locais e mostrar as belezas arquitetônicas da cidade, num projeto inovador. O processo de gravação foi intenso e emocionante, mas posso dizer que o filme corresponde exatamente à minha expectativa inicial, por mais improvável que pudesse parecer”, descreveu.

Juliana Schneider, diretora do curta, falou sobre a produção e agradeceu aos patrocinadores e público. Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Juliana disse que havia desenhado o story board do curta, espécie de roteiro, e sabia exatamente o que queria de cada cena. Contou que as maiores dificuldades foram em relação aos horários de gravação, disponibilidade da equipe, e das condições climáticas. Que, em função disso, foram feitas algumas adaptações, mas que quase toda a obra acabou muito fidedigna ao projeto inicial.

A diretora disse que foi uma honra trabalhar com profissionais altamente qualificados, como Gerson Feiten, Bruna Muller e Carla Garbuyo, além de artistas amadores, amigos muito especiais para ela. “Eu fiquei muito agradecida. Tive uma sensação de dever cumprido, alívio em mostrar o resultado do investimento dos patrocinadores; alegria por todos os envolvidos; imensa gratidão a Deus, pela experiência. O trabalho local sendo valorizado em todos os aspectos”, disse Juliana. Segundo ela, o curta foi baseado num conto literário americano do século XIX.

O coordenador do Sexta Tem Arte, Kiko Souza, se disse sem palavras para descrever o evento. Que sente pela programação estar se aproximando do encerramento, mas que o objetivo do projeto tem sido alcançado, em todas as apresentações.

Kiko também descreveu, emocionado, o retorno que tem recebido do público escolar, dizendo que este era um dos principais motivos para que a programação acontecesse. “É muito gratificante, e é meio clichê falar isso, mas me sinto com o dever cumprido. Uma pena que o projeto se encaminhe para o fim, mas temos muitas propostas de parcerias chegando, para seguirmos com os espetáculos, mesmo depois de finalizar a programação definida no edital. Vamos ver como vai ser”, disse ele.

Encerramento do projeto

Duas apresentações ainda são esperadas, dentro da programação do Sexta Tem Arte: “Quando chega a hora” – Cia do Teatro 2 por 2 – nesta sexta-feira (05), e “Staut”, no dia 12.