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Plínio Zingano

Publicado em 10/03/2017 às 09:03
AINDA A ESCRITA

Do meu tuíter @Plinio-Zingano – A melhor união nas partes de qualquer edificação foi inventada pelos egípcios. Chama-se “gravidade”. As pirâmides ainda estão lá!

 

“(…) Tudo imanente AHI se acha, de modo que esta dou só do OBJECTO TENUE IDÉA. Da CREAÇÃO o TYPO inicial creio…”. Estes são os versos 89, 90 e 91 do canto XXXII, d’O “PARAISO”, o último da Divina Comédia, de Dante Alighieri, numa edição brasileira, traduzida do italiano pelo Barão da Villa da Barra, em obra “POSTHUMA” de 1910.


Terei eu entrado em devaneios líricos e me atracado, só pra complicar, logo com uma das obras mais importantes e complexas da poesia renascentista? Nada disso. Usei o poema, apenas, para aproveitar como referência e responder a uma cutucada dada pela Kenia Pires, querida colega de magistério em Parobé. Diante de um “post” no Facebook, mencionando um projeto no Senado, propondo alterações na ortografia do português, ela disse ter lembrado de alguém, mesmo não sendo específica em relação a mim. Mas, exibido que sou, vesti a carapuça. Tive o cuidado de grafar em destaque algumas palavras alteradas nos últimos 107 anos, trocando sua grafia oficialmente. Uma dessas palavras, inclusive, mudou mais de uma vez. É o caso de IDÉA, passando para IDÉIA, e, hoje, IDEIA.


Nas minhas aulas, como exercício intelectual (aulas servem para isso, não é?) eu explicava que a ortografia – a maneira de as palavras serem escritas – é um acordo entre pessoas. Nunca foi algo natural. É código combinado. Por esta razão, passível de mudança. Claro, num país, o código está estabelecido tradicionalmente e não deve, ou melhor, não pode ser revogado ao bel-prazer de quem quiser. Ele é oficial, embora ninguém vá preso por escrever as palavras em desacordo com essa grafia. Se houvesse prisão, ninguém mais estaria no Facebook! Talvez redunde, apenas, em algum constrangimento social. Ou seja, escrever de maneira muito personalizada (sei, é um eufemismo), pode criar má impressão com relação à escolaridade do escritor. Mas, tudo numa boa! Quem se importa, salvo prováveis empregadores?


Do que tratava o “post”? De maneira geral, da ressignificação dos símbolos empregados para a escrita – as letras – ou suas combinações. Para ilustrar, não há necessidade do uso da letra “u” depois da letra “q”, exceto quando for pronunciada.


Na verdade, mesmo possível um código mais simples, não há garantias de melhora no nível de escrita. Para isso seriam necessárias mais dedicação e mais cobrança por parte de quem ensina. Porém, como fazer isto? Na minha meteórica passagem pelo curso de Propaganda, na FACCAT, em 2007/2, por exemplo, como professor de redação publicitária, ouvi de uma colega, Doutora em Língua Portuguesa: “na universidade essas coisas não devem mais ser exigidas”.


E, vejo, é um pensamento difundido no Ensino Superior. No último sábado, a Universidade de Passo Fundo publicou na Zero Hora um anúncio para Especialização, dizendo: “Atitude que te constrói”; e completou: “Conheça também os Programas de Mestrado e Doutorado”. Nesse anúncio, a ortografia já não foi o problema!

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