A essência do professor e o Covid 19, por Cristiane Schmitt

A essência do professor e o Covid 19

O professor busca formações constantes em sua área, o professor estrutura planejamentos diários, segundo as turmas a que leciona, o professor examina documentos e atividades realizadas pelas crianças para observar o seu nível de desenvolvimento e quais são as novas propostas que podem ser reajustadas para que a criança, o adolescente ou o adulto venha a aprender. E então, aparece um novo Coronavírus e muda tudo de lugar. Antes as salas cheias de alunos, emergiam em um contato diário com o professor e, em pouco dias letivos, as portas das escolas se fecharam, para proteger uma comunidade cheia de vida, cheia de questionamentos e de suma importância para o crescimento futuro da sociedade. E agora? Depois de inúmeros estudos, pareceres, reuniões, os professores voltam às suas atividades em diversos formatos.

            Tem professor na tela do celular, alguns professores “escondidos” atrás de uma apostila e outros, em gestão escolar, organizando o contato diário com as famílias. Mais do que nunca, da forma que for, precisamos ser o professor na sua real essência.

            Em parecer a nível federal, as horas utilizadas para realização das atividades em casa, no período de isolamento, podem ou não ser computadas na carga horária dos municípios e estados, conforme a realidade e decisão de cada local.

            Este mesmo parecer fala em um atendimento essencial. E o profissional de educação que conhece sua trajetória, valoriza seu conhecimento, com certeza saberá o que é essencial para a sua realidade. Não vivemos a mesma realidade nem mesmo em bairros diferentes de qualquer cidade, quem dirá em um Brasil gigante como o nosso.

            A aproximação virtual pode ser feita? Você, professor já se perguntou? Basta pensar no vínculo que temos com nossas crianças e o que é possível continuar, mesmo longe. Dentro das ideias do CNE, a educação infantil, organiza momentos para a família com brincadeiras, jogos, desenhos, histórias e músicas. No ensino fundamental, aparece uma lista de sugestões para utilização de mídias, reforçando a continuidade e ampliação do vínculo com a família. A pesquisa. vem como uma possibilidade potente, para os anos finais e para o ensino médio, também citados no parecer com diversas ideias.

            E a essência do professor? Um momento de bombardeios com cursos que ensinam como devemos ensinar, que ensinam como devemos gravar as “vídeo aulas”. Novas “pandemias” surgiram com esta, com aqueles que criam “teorias e possibilidades”, que, por assim dizer ficam apenas na teoria mesmo.

Mas o que garante ao professor sua essência? Nada mais, nada menos que “o chão de sala de aula”, é conhecer o aluno, saber como ele aprende, conhecer a turma, conhecer a comunidade em que aquela escola está inserida.

Professores, a mudança atual se resume no veículo que será utilizado para mediar novos conhecimentos, fortalecer o vínculo com nossas crianças, adolescentes e adultos. Talvez alguns locais, neste imenso Brasil, julguem necessário disponibilizar apostilas que podem ser acessadas em local específico na internet, com uma breve orientação. Outras redes vão gravar em vídeo, histórias com diversos enredos, para garantir que a criança esteja com seu professor ou professora.

Eis que o grande desafio é não deixar a “enxurrada” da mídia passar por cima do conhecimento de nossas redes de ensino, até porque não é com uma tela que estamos falando, mas são com nossos alunos.

Professor, não perca sua essência!

Cristiane Schmitt
Pedagoga

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