Diretora da Alice Imóveis fala sobre movimentação de imobiliárias durante período de confinamento

Em meio ao cenário de pandemia, ainda confuso nos mais diversos setores da sociedade, o que se observa é a movimentação de segmentos em busca de alternativas que viabilizem as atividades. No mercado imobiliário não é diferente e, sabendo disso, a reportagem da Rádio Taquara e do Jornal Panorama entrevistou a diretora da Alice Imóveis, no Painel 1490, desta quarta-feira (22). Alice Lehnen contou como a imobiliária e suas respectivas concorrentes têm trabalhado, além de comentar sobre o impacto da pandemia sobre o mercado imobiliário, de modo geral.


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A empresária explicou que, desde fevereiro, a equipe da Alice Imóveis está atenta às orientações da Saúde, com relação ao enfrentamento à Covid-19. Descreveu que, com o primeiro decreto municipal, que impôs o confinamento, a imobiliária acabou aderindo ao regime de trabalho remoto, com seis “escritórios” caseiros. Segundo ela, num primeiro momento, alguns funcionários ficaram em banco de horas e depois do segundo decreto a imobiliária se forçou a dar férias para cobrir os demais dias de isolamento social.

Com o retorno das atividades, liberadas na semana passada pelo prefeito Tito, Alice disse que muitas medidas foram adotadas na Alice Imóveis, especialmente para garantir o bem estar, tanto dos funcionários, quanto dos clientes. A empresária admitiu que, para ela, tem sido muito difícil conviver com a nova rotina, pois ela mesma, por integrar o grupo de risco em virtude da idade, está proibida de frequentar o próprio estabelecimento. Relatou que as restrições têm representado um desafio, pois muitas pessoas consideram as orientações exageradas e/ou desnecessárias.


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Contudo, Alice considerou que é preciso se dedicar na prevenção. Contou que a Alice Imóveis organizou a equipe, disponibilizando um funcionário específico para auxiliar na higienização das mãos dos clientes. Defendeu que umas das principais lições que se pode tirar da quarentena está relacionada ao cuidado, tanto individual, quanto coletivo. Na importância do cuidar de si e, por consequência, do outro. “Precisamos nos conscientizar, porque é possível conciliar a questão econômica com a questão da Saúde. Basta nos cuidarmos, com uma higienização maior, no dia a dia, por exemplo”, disse Alice.

Mesas de negociação

com relação às tratativas com os clientes, principalmente no que diz respeito aos alugueis, Dr.a Alice explicou que a imobiliária criou o que chamou de “mesas de negociação“, com funcionários responsáveis pela intermediação entre proprietários de imóveis e inquilinos. Segundo ela, as intermediações acontecem nos casos em que os inquilinos manifestam interesse. Alice explicou que cada situação é analisada de forma específica, levando em consideração as necessidades, tanto dos inquilinos – que, em alguns casos, precisam de um rebaixamento no aluguel, por exemplo – e dos proprietários dos imóveis que, em determinados casos, dependem dos valores dos alugueis para a manutenção da sobrevivência pessoal e familiar.

Dr.a Alice destacou que, até o momento, não há lei que determine a baixa ou isenção de valores dos alugueis, tudo ainda depende do bom senso e da negociação entre os interessados. Explicou que há um projeto de lei em discussão no Congresso, que prevê a suspensão do pagamento dos alugueis residenciais até outubro. Há também um outro projeto que diz respeito à suspensão dos pagamentos de alugueis comerciais, industriais e de serviços em geral. Este último prevê a suspensão dos pagamentos durante todo o período em que as atividades estiverem paralisadas. No entanto, ambos os casos ainda não foram aprovados.

Alice relatou que a situação dos empreendedores e empresários que pagam aluguel se tornou muito difícil, frente à realidade do confinamento. Sabendo disso, a maioria dos proprietários dos imóveis concordou em isentar seus inquilinos do pagamento dos primeiros dez dias de isolamento, e o período extra está sendo negociado conforme cada caso. “Não tem sido fácil, é um trabalho extremamente difícil, pois há perda para ambos os lados. Estou no ramo há mais de 40 anos, e é a primeira vez que passo por uma situação assim”, comentou Alice.

Dr.a Alice também falou sobre o impacto da pandemia sobre o mercado imobiliário em geral. Disse que o setor está totalmente impactado, praticamente parado em relação a investimentos, o que reflete negativamente também sobre a construção civil.

Questionada sobre o movimento das imobiliárias locais, durante o período de confinamento, Dr.a Alice explicou que, assim que o prefeito Tito emitiu o primeiro decreto, todas as imobiliárias de Taquara se reuniram ou fizeram contato via meios de comunicação, com a finalidade de compartilhar e alinhar estratégias de atendimento e intermediação. “Conversamos bastante, foi muito bom. Eu acredito que foi um fator muito positivo, porque nós somos concorrentes, mas lutamos pelo mesmo objetivo. Então foi muito bom as imobiliárias se reunirem, a gente trocar ideias. Acho que continuaremos com esse movimento. Ao menos, é o que espero”, disse ela.

A empresária lamentou o cenário econômico, mas defendeu que os empresários se dediquem para preservar os empregos. “Eu e muitos outros brasileiros começamos sem ter nada, e a gente vai formando e formando. Então, a perda, para nós empresários, não é tão significativa quanto a perda da vida. E a perda, para nós empresários, não é tão significativa quanto a perda do emprego. Então, penso que nós empresários temos que ter um esforço, no sentido de aprendermos a ter menos rentabilidade e manter os empregos. Considero uma missão nossa, não é nem uma força de trabalho. Precisamos de criatividade para manter os empregos, e consequentemente manter a subsistência da habitação, saúde, educação e alimentação dos trabalhadores.”

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