Um exército para chamar de meu, por Jéssica Ramos

Um exército para chamar de meu

Dividir para conquistar: eis a estratégia mais utilizada nos últimos tempos, política e economicamente falando. O exemplo mais atual é o da campanha de Dia dos Pais da Natura, em que um dos influenciadores digitais escolhidos pela marca é o pai trans Thammy Miranda. Além da polêmica, o resultado foi o mais óbvio possível: parte do público, consumidor ou não, se posicionou contra, parte a favor da iniciativa da Natura.

Ocorre que com a “brincadeira”, a Natura, assim como muitas outras marcas e empresas fazem, montou um exército particular em questão de dias. E o melhor de tudo, ganhou um defensor orgânico (sem pagar a mais para isso). Afinal de contas, Thammy saiu em defesa de si e, automaticamente, da marca também. Além disso, com a polêmica, a Natura viu nesta quarta-feira (29) suas ações subirem 6,73%, encerrando na liderança do Ibovespa, cotadas a 47,09 reais.

Concomitantemente, Thammy Miranda, que (pasmem – ou não) é pré-candidato (a) a vereador em São Paulo, viu sua base de seguidores no Instagram crescer 23,5 mil, devido às discussões relacionadas à parceria com a Natura. Ou seja, todos os dias nós somos manipulados por agendas e ideologias – planejadas – como se fôssemos marionetes. Repare comigo que as mesmas pessoas que influenciavam, há dias, o movimento com o slogan “vidas negras importam”, também levantam a bandeira do aborto. – Quer dizer, uma vida, seja ela branca ou negra, importa apenas enquanto serve para alimentar um discurso, uma agenda, ou uma campanha – geralmente lucrativa para um lado e mortal para o outro!

Vamos além. As mesmas pessoas que defendem o aborto, o defendem como “direito”, “defesa”, ou “benefício” às mulheres. E essas mesmas alimentam a agenda do “empoderamento” feminino. Aquele do “meu corpo, minhas regras” e etc e tal.

Curiosamente, ou não (risos), essas mesmas pessoas criticam, simultaneamente, os homens por serem cada dia mais irresponsáveis e violentos. – Ora, mas isso nada mais é do que o resultado do padrão de vida que alimentamos. Afinal de contas, quando uma mulher acredita que transar sem compromisso, sair com homens/ mulheres casados (as) e viver de maneira fútil e vulgar é ser “empoderada”, na verdade ela apenas comunica aos homens que eles não precisam mais ter compromisso, assumir filhos ou trabalhar para manter suas famílias e relacionamentos. Afinal de contas, independente do que os homens façam, sempre haverá uma mulher “moderna e esclarecida” para saciar as necessidades sexuais deles, sem cobranças, ou compromisso.

A questão é simples, mas se tornou complexa, não por acaso. Nossos valores foram invertidos, nossa base desestruturada. Emitimos mensagens contrárias às nossas necessidades básicas. Nós, mulheres, na ilusão de que nos igualamos, ou libertamos, apenas assumimos toda e qualquer responsabilidade e risco, sobre o sucesso e o fracasso. E quando fracassamos, colocamos a culpa nos homens. Homens que nunca estiveram tão livres para experimentar a decadência de caráter, como nos dias atuais. E o fazem com maestria – infelizmente.

E, retornando à questão da estratégia, reparemos como é mais fácil controlar a sociedade quando as pessoas não assimilam mais o que fazem, ou em quem acreditam. A receita é simples: para alcançar status, ou visibilidade, basta lançarmos uma pauta, escolhermos uma “vítima” e nos posicionarmos a favor dela. Logo, tanto ela, quanto todas as pessoas que se identificam com ela e, ou, com o assunto, se tornam nossos seguidores. Nosso exército particular, e orgânico (free).

Na estratégia do “dividir para conquistar” ninguém ganha, a não ser quem promove a agenda. Seja branco, preto, hétero ou homossexual, todos sofrem. Todos são expostos em benefício de uma ideologia, de um capital. Então, antes de nos atacarmos, e alimentarmos agendas, façamos uso daquilo que nos difere dos animais: nossa racionalidade. Chega de banalizar a vida, as relações e até o sexo, numa guerra em que os fuzis apontam para nós, para os nossos.

Não por acaso, os índices de divórcio, de depressão, ansiedade, suicídio (principalmente na adolescência e na infância) têm aumentado assustadoramente – enquanto “evoluímos” como seres humanos – mesmo que, para isso, seja necessário mutilarmos nossos corpos e mentes; enquanto oficializamos toda a forma de “amar” – baseados em nossos desejos e fetiches sexuais, e controlados por eles feito bichos de estimação.

Ou a conta não está certa, ou alguém está lucrando com tudo isso! ..antes de boicotarmos, ou comprarmos a briga de alguém, observemos, nós, se os canhões dessa guerra não estão posicionados em nossa direção.

E sobre o sofrimento do (a) Thammy, sobre a intenção da Natura com a abordagem, tire, você, suas próprias conclusões.

Jéssica Ramos
Jornalista de Taquara
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